Sábado, 28 de Março de 2009

Jornalistas criticam o discurso sobre a pobreza presente na mídia

Em debate realizado na manhã desta sexta-feira, jornalistas, pesquisadores e representantes da sociedade civil criticaram o discurso sobre a pobreza presente na grande imprensa. As favelas são mostradas como o espaço da violência, da ilegalidade, marginalizada na sociedade. “Uma das questões cruciais na produção de notícias é a ausência desses sujeitos (negros e pobres) nas redações”, aponta a professora da UFRJ, Ivana Bentes.

O sub-editor do O Globo e blogueiro Jorge Antonio Barros aponta que a falta de fontes dos jornalistas dentro das comunidades afeta a produção de notícias e o Estado, no caso do Rio de Janeiro, a polícia, passa a ser a principal fonte de informações.

“A mídia reproduz, infelizmente, o discurso da polícia, porque a polícia é a sua fonte principal”, diz Barros.

Ivana defende o uso de novas tecnologias para o surgimento de um novo discurso, que humanize a situação de pobreza. Sua opinião é compartilhada pelo diretor do Ibase Itamar Silva .

“Enquanto a gente não multiplicar as alternativas de mídia, a gente não colocar mais meios de comunicação sobre a gestão de outros, enquanto a gente tiver a concentração desses meios, a gente vai ficar restrito a esses discursos de ilegalidade”, diz Silva.

O blogueiro chileno e radicado no Canadá Mauricio Segura, relatou a experiência realizada por ele numa comunidade carente de Montreal. A iniciativa surgiu após uma série de protestos causados pela morte de um jovem. Na ocasião, a imprensa local reproduziu apenas o discurso da polícia, sem ouvir os moradores, em sua maioria imigrantes. Para dar espaço para o olhar da comunidade, Segura criou um blog.

“A interação com os moradores ofereceu uma chance de observar melhor o fato e de humanizar a vizinhança”, conta.

Experiência semelhante foi realizada pela ONG Viva Rio, pelo site Viva Favela. O fundador da instituição, Tião Santos, conta que no início, em 2003, os “correspondentes” nem sabiam usar o computador. Eram 15 pessoas em comunidades carentes, mais os jornalistas profissionais que faziam a edição do material. A ideia era fazer uma “inversão das pautas da grande imprensa”.

“Tem lugar que nem a polícia vai, mas lá tem uma radiozinha comunitária, ela está lá. Nós mostramos que é possível fazer informação de qualidade de dentro das comunidades. O caminho está dado”, conclui Santos. (Sérgio Matsuura, do Rio de Janeiro, via Comunique-se)


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publicado por o editor às 12:06
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