Segunda-feira, 24 de Outubro de 2016

A Ressurreição de um Garoto Afogado

 

 

Srila Prabhupada(da obra Krishna, a Suprema Personalidade de Deus)

Diante da oportunidade de pedir algo a Krishna, seu professor, sabendo que Krishna era o Senhor Supremo, faz um pedido extraordinário: “Traga meu filho de volta à vida”.

É costume que alguém, depois que foi iniciado no mantra Gayatri, viva longe de casa durante algum tempo, sob o cuidado do acharya, para ser treinado na vida espiritual. Durante tal período, a pessoa deve trabalhar sob as ordens do mestre espiritual como um servo subalterno e comum. Existem muitas regras e regulações para um brahmachari que viva sob o cuidado de um acharya, e tanto o Senhor Krishna quanto Balarama seguiram à risca esses princípios reguladores enquanto viveram sob a instrução de Seu mestre espiritual, Sandipani Muni, que residia em Avantipura, no distrito de Ujjain, norte da Índia. Segundo os preceitos das escrituras, deve-se respeitar um mestre espiritual e considerá-lo como estando no mesmo nível que a Suprema Personalidade de Deus. Krishna e Balarama seguiram esses princípios com grande devoção e perícia, e Se submeteram às regulações de brahmacharya.

Krishna e Balarama recebem instruções de Sandipani Muni.

Assim, Eles satisfizeram Seu mestre espiritual, que Os instruiu no conhecimento védico. Estando muito satisfeito, Sandipani Muni instruiu-Os em todas as complexidades da sabedoria védica e na literatura suplementar, como as Upanishads. Como eram kshatriyas, Krishna e Balarama foram treinados especificamente na ciência militar, política e ética. Política inclui diversas esferas de conhecimento, entre elas: como restabelecer a paz, como lutar, como pacificar, como dividir e reinar e como dar abrigo. Todos esses itens foram plenamente explicados e ensinados a Krishna e Balarama.

O oceano é a fonte de água em um rio. A nuvem é criada pela evaporação da água do oceano, e a mesma água é distribuída como chuva sobre toda a superfície da Terra, que, então, retorna ao oceano através dos rios. Do mesmo modo, Krishna e Balarama são a fonte de todo o conhecimento, mas, porque estavam fazendo o papel de meninos humanos comuns, Eles deram o exemplo para que todos recebessem conhecimento da fonte certa. Assim, concordaram em receber conhecimento de um mestre espiritual.

O Senhor Krishna e Balarama, reservatórios de todo o conhecimento, exibiram Sua perfeita compreensão de todas as artes e ciências mencionadas acima. Então, ofereceram-Se para servir Seu mestre concedendo-lhe qualquer coisa que ele desejasse. Essa oferta pelo estudante ao instrutor ou mestre espiritual chama-se guru-dakshina. É essencial que o estudante satisfaça o mestre em troca de qualquer aprendizado recebido, quer material, quer espiritual. Quando Krishna e Balarama ofereceram Seu serviço dessa maneira, o mestre, Sandipani Muni, julgou sensato pedir-Lhes algo extraordinário, algo que nenhum estudante comum poderia oferecer. Ele, então, consultou sua esposa sobre o que pedir a Eles. Tanto o mestre quanto sua esposa já tinham visto as potências extraordinárias de Krishna e Balarama e podiam entender que os dois meninos eram a Suprema Personalidade de Deus. Decidiram pedir a volta de seu filho, que havia se afogado no oceano perto da praia, em Prabhasa-kshetra.

Quando Krishna e Balarama ouviram Seu mestre falar sobre a morte do filho, Eles partiram imediatamente para Prabhasa-kshetra em Sua quadriga. Alcançando a praia, pediram à deidade controladora do oceano que devolvesse o filho de Seu mestre. A deidade do oceano apareceu imediatamente diante do Senhor e ofereceu-Lhe todas as reverências com grande humildade.

Krishna e Balarama conversam com a deidade controladora do oceano.

O Senhor disse: “Há algum tempo, você afogou o filho de Nosso mestre. Ordeno-lhe que o devolva”.

A deidade do oceano respondeu: “Na verdade, o menino não foi tomado por mim, mas foi capturado por um demônio chamado Pancajana. Esse grande demônio, em geral, fica no fundo da água na forma de um búzio. O filho de Seu mestre deve estar dentro da barriga do demônio, tendo sido devorado por ele”.

Ouvindo isso, Krishna mergulhou fundo na água e agarrou o demônio Pancajana. Matou-o ali mesmo, mas não pôde encontrar o filho de Seu mestre dentro da barriga dele. Então, pegou o cadáver do demônio (na forma de búzio) e voltou para Sua quadriga na praia de Prabhasa-kshetra. Dali, partiu para Samyamani, a residência de Yamaraja, o superintendente da morte. Acompanhado por Seu irmão mais velho, Balarama, também conhecido como Halayudha, Krishna chegou lá e tocou Seu búzio.

Ouvindo a vibração, Yamaraja apareceu e recebeu Sri Krishna com todas as respeitosas reverências. Yamaraja podia entender quem eram Krishna e Balarama, em razão do que ofereceu imediatamente seu humilde serviço ao Senhor. Krishna aparecera na superfície da Terra como um ser humano comum, mas, de fato, Krishna e Balarama são a Superalma que vive dentro do coração de toda entidade viva. Eles são o próprio Vishnu, mas estavam fazendo o papel de meninos humanos comuns. Enquanto Yamaraja oferecia seus serviços ao Senhor, Sri Krishna pediu-lhe que devolvesse o filho de Seu mestre, que ele obtivera como resultado de seu trabalho. “Considerando Meu comando supremo”, disse Krishna, “você deve devolver imediatamente o filho de Meu mestre”.

Yamaraja, então, devolveu o menino à Suprema Personalidade de Deus, e Krishna e Balarama levaram-no a seu pai. Os irmãos perguntaram se Seu mestre tinha mais alguma coisa para pedir-Lhes, diante do que ele respondeu: “Meus queridos filhos, Vocês fizeram bastante por mim. Agora estou completamente satisfeito. O que mais pode faltar a um homem que tem discípulos como Vocês? Meus queridos filhos, podem agora ir para casa. Esses Seus atos gloriosos serão sempre famosos no mundo inteiro. Vocês estão acima de toda bênção, mas é meu dever abençoá-lOs. Por isso, eu Lhes dou a bênção de que tudo o que Vocês disserem permanecerá eternamente recente, assim como as instruções dos Vedas. Seus ensinamentos serão honrados não só neste universo ou neste milênio, mas em todos os lugares e épocas, e permanecerão cada vez mais novos e importantes”. Devido a essa bênção de Seu mestre, a Bhagavad-gita do Senhor Krishna está cada vez mais nova, e é famosa não só neste universo, mas em outros planetas e em outros universos também.

Tendo recebido a ordem de Seu mestre, Krishna e Balarama voltaram imediatamente para casa em Sua quadriga.

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Sexta-feira, 14 de Outubro de 2016

Debate - Jesus É o Único Caminho?

 

 

H.D. Goswami

O que pensam as pessoas quando têm liberdade de pensamento?

O que realmente leva pessoas a tomarem uma decisão – “isso é verdade” ou “isso não é verdade” – é a intuição profunda, porque Deus está no coração. Por exemplo, tome a alegação: “Jesus é o único caminho, não há outro caminho para Deus a não ser Jesus”. Verificamos que essa alegação foi aceita pela maioria das pessoas ao longo da história apenas em sociedades onde havia coação muito extrema e violenta. Em outras palavras, de fato não verificamos que uma quantidade significativa de pessoas, por períodos significativos de tempo, acreditaria nisso se não houvesse coerção violenta. Não estou dizendo que Jesus não é divino – pessoalmente acredito que Jesus é divino, e há muitas pessoas boas que aceitam Jesus como divino. Porém, meu ponto é especificamente este: quantidades significativas de pessoas, por períodos significativos de tempo, não acreditavam que Jesus seria o único caminho; algo que, em primeiro lugar, o próprio Jesus nunca ensinou.

Se analisarmos sociedades livres, onde não há coerção intensa de uma forma ou de outra, muitas pessoas respeitam e amam Jesus, e também entendem que existem outros caminhos. De fato, o estudo sério mais recente feito pela Fundação Pew, provavelmente o principal grupo que faz pesquisas sobre atitudes das pessoas com relação à religião nos Estados Unidos (um país conhecido por ter pessoas do tipo “fanáticas consumadas”) descobriu que 2/3 dos cristãos norte-americanos – quer sejam protestantes, católicos ou ortodoxos – acreditam que o indivíduo pode ir para o céu de outra maneira além de Jesus.

Por exemplo, quando eu morava em Davidson, uma cidade universitária muito bonita na Carolina do Norte, um dos meus vizinhos era o pastor de uma Igreja Episcopal. Ele era um sujeito inteligente e muito agradável; costumávamos conversar quando nos esbarrávamos nessa pequena cidade. Uma vez, estávamos conversando e eu o questionei: “Você afirma que Jesus é o único caminho e que o que estou praticando não é um caminho válido?” Sua resposta foi muito interessante: Ele disse: “Jesus é o único caminho, mas não necessariamente para todos”. Penso que essa resposta foi muito inteligente e razoável.

Tradução de Dhananjaya Dasa.

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publicado por o editor às 16:23
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Sexta-feira, 23 de Setembro de 2016

O Avatar: Concepções Digital, Cristã, Monista e de Bhakti

 

 

por Chaitanya-charana Dasa

 

 

O conceito de avatar no mundo dos jogos, na teologia cristã e na filosofia monista têm um elemento em comum: na transposição de um mundo para outro, quem o faz não permanece o mesmo – o avatar de bhakti possui uma lógica diferenciada.

Central no conceito de avatar está a ideia de transpor de um reino para outro. Em seu contexto filosófico original, em sânscrito, avatar se refere à Verdade Absoluta descer do mundo espiritual para o mundo material. A existência do Divino além deste mundo se chama “transcendência”, ao passo que Sua existência neste mundo se chama “imanência”. A questão de como o transcendente pode Se tornar imanente intrigou muitos pensadores ao longo da história. Para compreendermos um pouco da profundidade do assunto, consideremos as concepções de avatar no mundo digital, no cristianismo, no monismo e em bhakti.

Avatar Digital

A palavra sânscrita avatar se tornou bem conhecida no mundo devido a um sucesso de bilheteria de Hollywood e a jogos de RPG de computador. No uso contemporâneo, avatar se refere a um ícone ou personagem tridimensional representando uma pessoa em ambientes virtuais, como videogames e fóruns de internet. Nesse uso, a “transposição” implícita no avatar é do mundo físico para o mundo digital. Nosso avatar digital é um passo para fora da realidade de quem somos. Mesmo se nosso avatar no videogame for hábil em fazer muitas coisas, ele não tem consciência alguma. Sua consciência aparente resulta da projeção de nossa consciência nele através do mecanismo de interface do jogo. Então, quando nos referimos a algo inconsciente como nossa avatar, concebemo-nos em termos reduzidos. Essa redução é reveladora, pois aponta para duas linhas de pensamento distintas:

  1. Uma concepção mecânica do eu, que nos faz pensar que podemos ser representados por um perfil digital que é tão inconsciente quanto os elétrons que constituem o mundo digital.
  2. Uma ansiedade por se transpor para uma realidade diferente de nossa realidade mundana atual com toda sua nulidade.

Criação de um avatar em um jogo de computador.

Embora a palavra avatar, tradicionalmente, refira-se ao advento da Verdade Absoluta para este mundo, o uso contemporâneo da palavra se refere ao eu, e não ao Absoluto. Ainda assim, os problemas da “transposição” associados com a noção de avatar vêm à tona quando aplicados ao eu também, pois o avatar e o eu são distintos.

Encarnação Cristã

O termo “avatar” é frequentemente traduzido por “encarnação”. Essa palavra é intrincadamente associada a concepções abraâmicas acerca de como o Divino Se manifesta neste mundo. No cristianismo, a palavra “encarnação” se refere, em geral, a Jesus, que é tido como Deus em um advento de carne como um ser humano. Jesus nasceu em uma família judia que era fortemente messiânica, movida pela ansiedade de aguardar um messias que libertaria as pessoas de seus vários problemas. Com base nos ensinamentos e milagres de Jesus, seus seguidores o consideraram o messias. Essa noção foi negada por alguns diante de sua crucificação, mas foi reforçada por outros devido à alegada ressurreição. Por quase quatro séculos depois, a identidade de Jesus foi uma questão de debate vigoroso, ou mesmo “amargo”, na comunidade cristã. Por fim, o Credo Niceno elevou Jesus de “messias” a “encarnação”. O Credo determinou que a divindade de Cristo se manifestara na humanidade de Jesus, que era, por conseguinte, tanto completamente humano quanto completamente divino. Todavia, atribuir completa divindade a ele foi algo problemático, haja vista a memória histórica inegável e recente da vida de Jesus como um humano. A própria Bíblia insuflava o problema com declarações como: “O Pai é maior do que eu”. (João 14:28) Enquanto algumas citações apoiam a unidade do Pai e do Filho, a Bíblia também indica que essa “unidade” com Deus não é exclusiva dele, senão que pode ser obtida por outros também: “Para que todos sejam um, como Tu, ó Pai, o és em mim, e eu em Ti; que também eles sejam um em nós.” (João 17:21)

“E o verbo se fez carne.”

Essa falta de clareza dos limites entre humano e divino na concepção da identidade de Jesus reflete a falta de clareza ainda maior dos limites de matéria e espírito na filosofia cristã. A Bíblia se refere à alma, mas não a descreve claramente, nem a diferencia categoricamente do corpo – é frequentemente utilizada como uma referência metafórica para nossa essência imaterial. Com essa ambiguidade ontológica em relação à alma, surgiu a noção de que todo crente fiel receberia uma ressurreição corpórea, como aconteceu com Jesus. Aqui, mais uma vez, vemos como concepções do Divino se entrelaçam com concepções do eu.

Avatar Monista

Monistas defendem que a realidade é constituída, em última instância, de uma substância. Tecnicamente, materialistas que dizem que a matéria é tudo o que existe também são monistas – são monistas materialistas. Convencionalmente, porém, o termo “monista” se refere a espiritualistas que defendem que uma substância espiritual é tudo o que existe. Para tais monistas, o mundo material, com toda sua variedade, é, por fim, uma ilusão. Também sustentam que nossa autoconcepção como seres individuais também é uma ilusão. Acreditam que libertação é se fundir na unidade não-diferenciada do Absoluto.

Para os monistas, a matéria é simplesmente uma ilusão; o espírito é tudo o que existe, e é uma unidade não-diferenciada. Assim, na visão de mundo monista, não existe mundo material para se transpor, tampouco existe um ser espiritual supremo para fazer essa transposição.

Na tradição monista, o avatar é uma ilusão útil, mas que, no final, deve ser dispensada.

Monistas tentam solucionar tais problemas em sua filosofia atribuindo uma realidade provisória para a matéria – a matéria é vista como real enquanto as pessoas estão em consciência material, ou, em outras palavras, em ilusão. Defendem que o avatar também está nessa realidade provisória – o absoluto impessoal se torna pessoal temporariamente durante o período do advento. O avatar, assim, é tratado como uma ilusão útil, a qual pode nos ajudar a resistir às ilusões danosas da existência material: os muitos objetos dos sentidos que nos persuadem em direção aos prazeres mundanos. Quando focamos nossa consciência no avatar, podemos nos desapegar dos objetos dos sentidos e nos situarmos em um modo relativamente elevado: a bondade. Ainda assim, independente de quão útil ou prestativo, o avatar é tido, em última instância, como uma ilusão – uma ilusão que precisa ser dispensada para se obter a libertação. Assim, o monismo não trata o avatar como uma realidade espiritual, mas como uma ficção conveniente e útil para o crescimento espiritual.

Avatar de Bhakti

Enquanto o cristianismo sustenta que a encarnação é, de alguma forma, tanto material quanto espiritual, e o monismo advoga que o avatar é material, bhakti explica que o avatar permanece espiritual mesmo enquanto está no mundo material.

Para entendermos como isso é possível, precisamos primeiramente compreender como bhakti entende a relação entre matéria e espírito. A Bhagavad-gita, em seu segundo capítulo, apresenta uma dualidade radical entre matéria e espírito. O espírito é descrito como não tendo nenhum dos atributos da matéria – a alma não nasce nem morre (2.20) e é imutável, estando além de fragmentação, incineração, dissolução e dissecação (2.24-25). A Gita, porém, balanceia essa dualidade radical com uma unidade orgânica em seu sétimo capítulo, onde se declara que tanto a matéria quanto o espírito são energias da mesma Verdade Absoluta (7.4-5). O espírito ser uma energia do Absoluto deixa implícito que o Absoluto está situado não apenas do lado espiritual da divisão matéria e espírito, mas que está situado no ápice da realidade espiritual. A Gita (10.12) revela que essa Verdade Absoluta é Krishna, declarando que Ele não é apenas brahma (espírito), mas param brahma (o Espírito Supremo). O Srimad-Bhagavatam (8.3.4), outro texto de bhakti destacado, reitera essa posição do Absoluto ao declarar que Ele é parat parah, o que Srila Prabhupada explica como sendo que “Ele é transcendental ao transcendental”, ou “acima de toda transcendência”. Com esse plano de fundo metafísico, estamos melhor preparados para entender como o avatar permanece espiritual mesmo no mundo material.

Krishna, segundo a Bhagavad-gita, não é influenciado pela natureza material mesmo quando está nela.

Para ilustrar, Srila Prabhupada, algumas vezes, dava o exemplo da eletricidade: é uma só energia que pode se manifestar como calor através de um aquecedor e como frio através de um ar-condicionado. Pensemos ainda nos aparelhos que podem, pelo girar de um botão, passar de aquecedor para ar-condicionado. Aquele que controla esse aparelho pode, à vontade, se valer da mesma energia elétrica para aquecer ou esfriar. Se a existência é como uma máquina, Krishna é como o controlador. Girando o botão de Sua onipotência, Ele pode impedir que a energia material atue materialmente sobre Ele até mesmo quando Ele Se manifesta no mundo material.

Embora a Bhagavad-gita não utilize a palavra específica “avatar”, fala sobre o advento do divino no capítulo 4, nos versos de 6 a 10. A Gita começa essa discussão declarando que Krishna permanece o Senhor imperecível de todos os seres vivos até mesmo quando Ele entra na natureza material, que pertence a Ele. Essa declaração indica que Ele não fica sob o controle da natureza material, que sentencia todos os seres corporificados através do fluxo inexorável do tempo à deterioração e destruição.

A transcendência eterna do avatar grifa uma diferença sutil entre “avatar” e a tradução “encarnação”. Etimologicamente, “encarnação” significa “entrar na carne”. Krishna, entretanto, não faz Seu advento em uma forma de carne; Ele permanece transcendental.

Não obstante, instrutores de bhakti frequentemente introduzem audiências ao conceito de avatar com a tradução “encarnação”. Fazendo isso, evitam de colocar sobre nós o fardo de uma dupla falta de familiaridade: tanto um termo estranho quanto um conceito estranho. Termos são instrumentos verbais para conceitos mentais. Ao primeiramente nos darem um meio familiar para acessarmos um conceito estranho e, em seguida, explicarem as dimensões estranhas do conceito, eles nos ajudam a progredir até a compreensão, com um passo de cada vez.

Quando Krishna faz Seu advento neste mundo e realiza Seus passatempos, Ele faz com que este mundo deixe de ser um palco para exibição de ilusão e o torna um palco para exibição da realidade espiritual mais elevada: os passatempos amorosos entre Ele e Seus devotos. A Gita (4.9) declara que aqueles que se atraem pelo advento e pelas atividades de Krishna, entendendo Sua posição transcendental, não renascem – senão que alcançam Sua morada eterna.

Trailer e Trilha

O passatempo que o avatar realiza serve a duas funções extraordinárias: como trailer e como trilha.

Trailer: O amor é nossa aspiração mais profunda; todos nós desejamos amar e sermos amados. Contudo, devido à natureza temporária das coisas neste mundo, nossa avidez por amor é frustrada – inevitável e repetidamente.

Os passatempos de Krishna são atuações do amor que jamais é frustrado.

Os passatempos de Krishna são atuações do amor que jamais é frustrado – o amor puro e espiritual entre o todo-atrativo Supremo e Seus devotos que segue eternamente no mundo espiritual. Quando Krishna faz Seu advento neste mundo, Ele realiza alguns desses passatempos aqui, dando-nos vislumbres provocativos de uma região onde nossa avidez por amor pode ser satisfeita eterna e perfeitamente. Assim, Seus passatempos servem como um trailer com a finalidade de nos atrair para Sua morada.

Trilha: Aqueles com um entendimento superficial dos passatempos de Krishna pensam que se tratam de histórias destinadas a entreter. Quem compreende esses passatempos verdadeiramente, porém, sabe que não são mero entretenimento, mas algo em que podemos ingressar – eles ocorrem na realidade espiritual eterna, à qual nós, como almas espirituais, partes de Krishna, pertencemos.

Para adentrarmos essa realidade, precisamos redirecionar nosso coração do mundo para Krishna. Para esse redirecionamento, Seus passatempos proporcionam tópicos encantadores e purificantes, os quais podemos contemplar, analisar e desfrutar. Quanto mais pensamos em Krishna dessa maneira, mais nosso coração se atrai por Ele e mais progredimos em direção a Ele. 

De modo geral, o avatar demonstra a centralidade do amor no crescimento espiritual. É o amor de Krishna por nós que inspira o transcendental a se tornar imanente, e é nosso amor por Ele que nos permite transpormos da matéria para o espírito, experimentarmos nossa identidade além da matéria e nos situarmos na realidade espiritual.

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publicado por o editor às 14:09
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Terça-feira, 6 de Setembro de 2016

Dia 9 celebramos Radhastami, o dia de aparecimento de Radharani!

 

 

 

 

 

O Advento de Srimati Radharani

 

 

Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

 

Em palestra realizada em Montreal, 30 de agosto de 1968, o acharya-fundador da ISKCON fala sobre a grandiosidade da filosofia de Radha-Krishna.

 

Hoje é Radhashtami, o aniversário de Srimati Radharani. Radharani é a potência de prazer de Krishna, o qual, por Sua vez, é o Brahman Supremo, como encontramos no Bhagavad-gita (10.12):

 

param brahma param dhama

pavitram paramam bhavan

purusham shashvatam divyam

adi-devam ajam vibhum

 

“Sois a Suprema Personalidade de Deus, a morada derradeira, o mais puro, a Verdade Absoluta [param brahma]. Sois eterno, transcendental, a pessoa original, o não nascido, o maior”.

 

Krishna é o Brahman Supremo e, quando o mesmo quer desfrutar, Ele não Se vale da matéria para isso. A postura de desfrute está presente no Brahman Supremo, ou param brahma. Do contrário, não poderíamos ter esse espírito de desfrute. Porque somos partes integrantes do Brahman Supremo, temos essa postura de desfrute, mas, em nós, é materialmente contaminada. É fato, no entanto, que, porque Krishna desfruta, a postura de buscar desfrute também existe em nós, mas não sabemos como desfrutar. Estamos tentando desfrutar na matéria, a qual é, por natureza, embotada. Brahma-sukhanubhutya (Srimad-Bhagavatam 10.12.11): as pessoas estão tentando sentir o que é o brahma-sukha, o prazer de brahmanubhava, o que não é prazer material. Muitíssimos yogis abandonaram sua vida familiar e seu reino e adotaram a meditação para alcançar o prazer do Brahman. Na verdade, a meta é o prazer do Brahman. Muitíssimos brahmacharis e sannyasis estão tentando obter o prazer do Brahman e, a fim de obter semelhante sorte de prazer, estão negligenciando e rejeitando todo prazer material. Vocês acham que o prazer do Brahman é um prazer ordinário como este prazer material se, a fim de obterem uma porção do prazer do Brahman, grandes personalidades rejeitam todo este prazer material?

 

Não falemos de nós, porquanto somos homens comuns. Na história, temos grandes exemplos, como aquele de Bharata Maharaja, devido a cujo nome este planeta se chama Bharatavarsha. Bharata Maharaja foi o imperador do mundo inteiro e, como imperador, tinha sua bela esposa e seus jovens filhos. Com a idade de vinte e quatro anos, no entanto, quando apenas um rapaz, ele abandonou tudo. Talvez alguém diga que esta é uma história muito antiga, é claro, mas vocês conhecem o Senhor Buddha, o qual também era príncipe. Buddha não era um homem comum, mas sim príncipe, kshatriya, e ele estava sempre desfrutando com belas mulheres, pois o costumeiro prazer palaciano nos países orientais era que, no palácio, havia muitas belas moças, e elas estavam sempre dançando e dando prazer aos reis e aos príncipes. Assim, o Senhor Buddha também estava envolto por tal prazer, mas ele abandonou tudo e começou a meditar.

 

Há muitas centenas de casos na história da Índia de personalidades que, para auferirem o prazer do Brahman, abandonaram tudo. Esse é o caminho. Tapasya significa voluntariamente aceitar algo rigoroso para lograr o prazer supremo. Então, entendamos: se, para saborear um pouco do prazer do Brahman, todos os prazeres materialistas estão sendo abandonados, é possível acharmos que o Brahman Supremo, o Senhor Krishna, desfrutará deste prazer material? Isso é razoável? Krishna está desfrutando, lakshmi-sahasra-shata-sambhrama-sevyamanam (Brahma-samhita 5.29): “Centenas e milhares de deusas da fortuna estão ocupadas a Seu serviço”. É possível pensarmos que essas lakshmis, deusas da fortuna, são mulheres materiais? Como Krishna pode obter prazer nas mulheres materiais? Pensar isso é engano. Ananda-chinmaya-rasa-pratibhavitabhis tabhir ya eva nija-rupataya kalabhih: Na Brahma-samhita (5.32), vocês encontrarão que Ele expande Sua ananda-chinmaya-rasa, “a nuança da transcendental potência de prazer”, e as gopis, entre as quais Radharani é a principal, são expansões de Sua potência de prazer.

 

Radharani é o centro, de modo que não devemos pensar que Ela é uma mulher comum, assim como temos a nossa esposa ou irmã ou mãe. Não. Radharani é a potência de prazer, e o Seu nascimento não foi a partir do ventre de algum ser humano, senão que Ela foi encontrada por Seu pai no campo. Enquanto o pai arava o solo, ele viu que uma criancinha estava ali. Ele não tinha filhos, então ele pegou a criança e a apresentou à rainha, sua esposa: “Temos aqui uma excelente criança”. “Como obtiveste tal criança?”. “No campo”. Apenas vejam. O janma, ou nascimento, de Radharani é assim, o qual se deu hoje.

 

O nome Radha às vezes não é encontrado no Srimad-Bhagavatam, em virtude do que os membros da classe ateísta protestam com perguntas como esta: “De onde surge este nome Radharani?”. O ponto, contudo, é que eles não sabem como vê-lo. No Srimad-Bhagavatam (10.30.28), encontramos anayaradhitah. Não obstante a existência de muitas gopis, existe a menção de que, por essa gopi em particular, Ele é servido mais prazerosamente, ou, em outras palavras, Krishna aceita o serviço dessa gopi com mais prazer. A palavra aradhyate significa “adoração”. Desta palavra aradhyate, vem Radha. O nome de Radha, contudo, está presente em outros Puranas. Assim, esta é a origem.

 

Radha e Krishna. Krishna é o desfrutador, e Ele quer desfrutar. Então, uma vez que Ele é o Brahman Supremo, Ele não pode desfrutar de algo externo, dado Seu atributo de atmarama, “autossatisfeito”. Ele, portanto, desfruta em Si mesmo. Radharani, por conseguinte, é a expansão de Sua potência de prazer, daí se afirmar que Krishna não tem que buscar por coisas externas para o Seu prazer, sendo Ele pleno em Si mesmo. Radharani, destarte, é expansão de Krishna: Krishna é o energético, e Radharani é a energia. Assim como não é possível separar a energia do energético; onde quer que Krishna esteja presente, está presente Radha, e onde quer que Radha esteja presente, está presente Krishna. O fogo e o calor você não pode separar: em todo lugar onde há fogo, há calor, e onde quer que haja calor, há fogo. Igualmente inseparáveis são Radha e Krishna, mas Ele está desfrutando.

 

Svarupa Damodara Gosvami descreveu esta intrincada filosofia de Radha e Krishna em um excelente verso, o qual diz:

 

radha krishna-pranaya-vikritir hladini shaktir asmad

ekatmanav api bhuvi pura deha-bhedam gatau tau

chaitanyakhyam prakatam adhuna tad-dvayam chaikyam aptam

radha-bhava-dyuti-suvalitam naumi krishna-svarupam

(Chaitanya-charitamrita, Adi 1.5)

 

Radha e Krishna é o Supremo único, mas, a fim de desfrutar, Eles Se dividiram em dois, e, no Senhor Chaitanya, juntaram-Se novamente os dois em um. Esse “um” indica Krishna no êxtase de Radha. Algumas vezes, Krishna fica no êxtase de Radha, e, outras vezes, Radha fica no êxtase de Krishna, o que continua. O ponto, no entanto, é que “Radha e Krishna” significa o único, o Supremo.

 

A filosofia de Radha-Krishna é uma filosofia muito grandiosa, a qual deve ser entendida no estágio liberado, e não no estágio condicionado. Quando adoramos Radha-Krishna em nosso estágio condicionado; adoramos, na verdade, Lakshmi-Narayana. Raga-marga e viddhi-marga: a adoração a Radha-Krishna está na plataforma de amor puro, raga-marga, ao passo que a adoração a Lakshmi-Narayana está na plataforma dos princípios reguladores, viddhi-marga. Enquanto não desenvolvermos o nosso amor puro, teremos que adorar com base nos princípios reguladores: o indivíduo tem que se tornar brahmachari, tem que se tornar sannyasi, tem que fazer a adoração de determinada maneira, tem que levantar de manhã, tem que oferecer artigos – muitíssimas regras e regulações. Existem pelo menos sessenta e quatro regras e regulações, as quais introduziremos gradualmente, à medida que vocês se desenvolvam.

 

Assim, em viddhi-marga, quando não temos amor por Deus, ou Krishna, temos que seguir a prática dos princípios reguladores, até que o tenhamos automaticamente. Quando vocês praticam tocar o tambor mridanga, por exemplo, não fica harmonioso no começo, mas, quando bem versados na prática, o som será produzido muito bem. Analogamente, quando estamos ocupados pelos princípios reguladores na adoração a Radha-Krishna, isso se chama viddhi-marga, ao passo que, quando você está realmente na plataforma amorosa, isso se chama raga-marga. Então, se alguém quer aprender raga-marga imediatamente, sem viddhi-marga, isso é tolice, haja vista que ninguém pode passar no mestrado sem passar pelos princípios reguladores do ensino fundamental, médio e superior. Diante disso, eu não me ocupo em discussões de Radha e Krishna muito facilmente. Em vez de o fazermos, prossigamos com o princípio regulador no momento presente. Gradualmente, à medida que vocês se tornarem purificados, à medida que vocês se situarem na plataforma transcendental, vocês entenderão o que é Radha-Krishna, mas não tentem compreender Radha-Krishna muito rapidamente, porquanto é um tema muito amplo. Se quisermos compreender Radha-Krishna muito rapidamente, haverá muitíssimos prakrita-sahajiyas.

 

Na Índia, há prakrita-sahajiyas, os quais tornaram a dança de Radha-Krishna, por exemplo, um brinquedo. Nas pinturas de Radha-Krishna deles, Krishna está beijando Radha e Radha O está beijando. Tudo isso é disparate, pois a filosofia de Radha-Krishna tem que ser compreendida pela pessoa liberada, não pela alma condicionada. Devemos aguardar, portanto, pelo afortunado momento em que estaremos liberados, então compreenderemos radha-krishna-pranaya-vikritir. Tentem compreender que Krishna e Radha não estão no âmbito material. A análise de Jiva Gosvami, em resumo, é que Krishna é o Brahman Supremo, e o Brahman Supremo não pode aceitar algo material, logo Radha não está no âmbito material.

 

Existe uma excelente canção, de autoria de Rupa Gosvami.

 

radhe jaya jaya madhava-dayite

gokula-taruni-mandala-mahite

damodara-rati-vardhana-veshe

hari-nishkuta-vrinda-vipineshe

vrishabhanudadhi-nava-shashi-lekhe

lalita-sakhi guna-ramita-vishakhe

karunam kuru mayi karuna-bharite

sanaka-sanatana-varnita-charite

(Radhika-stava)

 

Esta canção foi cantada por Rupa Gosvami, aquele a de fato ter compreendido Radha e Krishna. Então, ele diz radhe jaya jaya, “todas as glórias a Radharani”; madhava-dayite, “a qual é muito querida a Krishna”. Todos estão tentando amar Krishna, mas Krishna está tentando amar Radharani, de modo que podemos tentar compreender quão grandiosa Ela é. Todas as entidades vivas, no universo inteiro, estão tentando amar Krishna – krishna-prema. O Senhor Chaitanya disse que prema-pumartho mahan, isto é, “a meta mais elevada é amar Krishna”. E Rupa Gosvami descreveu: “Estás distribuindo krishna-prema, ó Chaitanya”. Assim, embora krishna-prema seja algo valiosíssimo, Krishna está buscando por Radharani. Apenas vejam o quanto Radharani é grandiosa! Apenas tentemos entender a grandeza de Radharani! Ela é grandessíssima, em razão do que temos que oferecer os nossos respeitos: radhe jaya jaya madhava-dayite.

 

Como Ela é? Gokula-taruni-mandala-mahite. Taruni significa “mocinhas”. Vocês podem ver nas pinturas que elas, as gopis, são todas mocinhas. De todas as mocinhas, entretanto, Radharani é a mais bela. Ela é encantadora às mocinhas também, pois Ela é belíssima. Damodara-rati-vardhana-veshe: Ela sempre Se veste tão bem que Damodara, Krishna, atrai-Se pela beleza dEla. Hari-nishkuta-vrinda-vipineshe: Ela é o único objeto amável de Krishna, e Ela é a rainha de Vrindavana. Caso vocês forem a Vrindavana, vocês verão que todos estão adorando Radharani. Rani significa “rainha”. Todos lá estão sempre falando: “Jaya Radhe!”. Todos os devotos em Vrindavana são adoradores de Radharani. Vrishabhanudadhi-nava-shashi-lekhe: Ela apareceu como a filha do rei Vrishabhanu. Lalita-sakhi guna-ramita-vishakhe: Suas companheiras são Lalita-sakhi e Vishakha-sakhi. Então, em nome dos devotos puros de Krishna, Rupa Gosvami está orando, karunam kuru mayi karuna-bharite. “Ó minha adorável Radharani, sois plena de misericórdia, em virtude do que estou implorando por Vossa misericórdia. Visto que sois deveras misericordiosa, muito facilmente concedeis Vossa misericórdia. Não deixarei, portanto, de implorar por Vossa misericórdia”. Neste ponto, alguém talvez dissesse: “Rupa Gosvami, és tão grandioso, és um estudioso erudito, uma personalidade tão santa, e está implorando pela misericórdia de uma mocinha comum? Como é isso?”. Portanto, Rupa Gosvami diz, sanaka-sanatana-varnita-charite: “Não se trata de uma moça comum. Apenas grandes personalidades santas, como Sanaka-Sanatana, podem descrever tal moça, logo Ela não é uma moça qualquer”.

 

Assim, a lição é que não devemos tratar Radharani como uma garota comum, ou Krishna como um homem comum. Eles são a Suprema Verdade Absoluta. Na Verdade Absoluta, todavia, existe a potência de prazer, a qual é exibida nas relações de Radha e Krishna, e todas as gopis são expansões de Radha.

 

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Domingo, 4 de Setembro de 2016

A Ressurreição de um Garoto Afogado

 

Srila Prabhupada(da obra Krishna, a Suprema Personalidade de Deus)

Diante da oportunidade de pedir algo a Krishna, seu professor, sabendo que Krishna era o Senhor Supremo, faz um pedido extraordinário: “Traga meu filho de volta à vida”.

É costume que alguém, depois que foi iniciado no mantra Gayatri, viva longe de casa durante algum tempo, sob o cuidado do acharya, para ser treinado na vida espiritual. Durante tal período, a pessoa deve trabalhar sob as ordens do mestre espiritual como um servo subalterno e comum. Existem muitas regras e regulações para um brahmachari que viva sob o cuidado de um acharya, e tanto o Senhor Krishna quanto Balarama seguiram à risca esses princípios reguladores enquanto viveram sob a instrução de Seu mestre espiritual, Sandipani Muni, que residia em Avantipura, no distrito de Ujjain, norte da Índia. Segundo os preceitos das escrituras, deve-se respeitar um mestre espiritual e considerá-lo como estando no mesmo nível que a Suprema Personalidade de Deus. Krishna e Balarama seguiram esses princípios com grande devoção e perícia, e Se submeteram às regulações de brahmacharya.

Krishna e Balarama recebem instruções de Sandipani Muni.

Assim, Eles satisfizeram Seu mestre espiritual, que Os instruiu no conhecimento védico. Estando muito satisfeito, Sandipani Muni instruiu-Os em todas as complexidades da sabedoria védica e na literatura suplementar, como as Upanishads. Como eram kshatriyas, Krishna e Balarama foram treinados especificamente na ciência militar, política e ética. Política inclui diversas esferas de conhecimento, entre elas: como restabelecer a paz, como lutar, como pacificar, como dividir e reinar e como dar abrigo. Todos esses itens foram plenamente explicados e ensinados a Krishna e Balarama.

O oceano é a fonte de água em um rio. A nuvem é criada pela evaporação da água do oceano, e a mesma água é distribuída como chuva sobre toda a superfície da Terra, que, então, retorna ao oceano através dos rios. Do mesmo modo, Krishna e Balarama são a fonte de todo o conhecimento, mas, porque estavam fazendo o papel de meninos humanos comuns, Eles deram o exemplo para que todos recebessem conhecimento da fonte certa. Assim, concordaram em receber conhecimento de um mestre espiritual.

O Senhor Krishna e Balarama, reservatórios de todo o conhecimento, exibiram Sua perfeita compreensão de todas as artes e ciências mencionadas acima. Então, ofereceram-Se para servir Seu mestre concedendo-lhe qualquer coisa que ele desejasse. Essa oferta pelo estudante ao instrutor ou mestre espiritual chama-se guru-dakshina. É essencial que o estudante satisfaça o mestre em troca de qualquer aprendizado recebido, quer material, quer espiritual. Quando Krishna e Balarama ofereceram Seu serviço dessa maneira, o mestre, Sandipani Muni, julgou sensato pedir-Lhes algo extraordinário, algo que nenhum estudante comum poderia oferecer. Ele, então, consultou sua esposa sobre o que pedir a Eles. Tanto o mestre quanto sua esposa já tinham visto as potências extraordinárias de Krishna e Balarama e podiam entender que os dois meninos eram a Suprema Personalidade de Deus. Decidiram pedir a volta de seu filho, que havia se afogado no oceano perto da praia, em Prabhasa-kshetra.

Quando Krishna e Balarama ouviram Seu mestre falar sobre a morte do filho, Eles partiram imediatamente para Prabhasa-kshetra em Sua quadriga. Alcançando a praia, pediram à deidade controladora do oceano que devolvesse o filho de Seu mestre. A deidade do oceano apareceu imediatamente diante do Senhor e ofereceu-Lhe todas as reverências com grande humildade.

Krishna e Balarama conversam com a deidade controladora do oceano.

O Senhor disse: “Há algum tempo, você afogou o filho de Nosso mestre. Ordeno-lhe que o devolva”.

A deidade do oceano respondeu: “Na verdade, o menino não foi tomado por mim, mas foi capturado por um demônio chamado Pancajana. Esse grande demônio, em geral, fica no fundo da água na forma de um búzio. O filho de Seu mestre deve estar dentro da barriga do demônio, tendo sido devorado por ele”.

Ouvindo isso, Krishna mergulhou fundo na água e agarrou o demônio Pancajana. Matou-o ali mesmo, mas não pôde encontrar o filho de Seu mestre dentro da barriga dele. Então, pegou o cadáver do demônio (na forma de búzio) e voltou para Sua quadriga na praia de Prabhasa-kshetra. Dali, partiu para Samyamani, a residência de Yamaraja, o superintendente da morte. Acompanhado por Seu irmão mais velho, Balarama, também conhecido como Halayudha, Krishna chegou lá e tocou Seu búzio.

Ouvindo a vibração, Yamaraja apareceu e recebeu Sri Krishna com todas as respeitosas reverências. Yamaraja podia entender quem eram Krishna e Balarama, em razão do que ofereceu imediatamente seu humilde serviço ao Senhor. Krishna aparecera na superfície da Terra como um ser humano comum, mas, de fato, Krishna e Balarama são a Superalma que vive dentro do coração de toda entidade viva. Eles são o próprio Vishnu, mas estavam fazendo o papel de meninos humanos comuns. Enquanto Yamaraja oferecia seus serviços ao Senhor, Sri Krishna pediu-lhe que devolvesse o filho de Seu mestre, que ele obtivera como resultado de seu trabalho. “Considerando Meu comando supremo”, disse Krishna, “você deve devolver imediatamente o filho de Meu mestre”.

Yamaraja, então, devolveu o menino à Suprema Personalidade de Deus, e Krishna e Balarama levaram-no a seu pai. Os irmãos perguntaram se Seu mestre tinha mais alguma coisa para pedir-Lhes, diante do que ele respondeu: “Meus queridos filhos, Vocês fizeram bastante por mim. Agora estou completamente satisfeito. O que mais pode faltar a um homem que tem discípulos como Vocês? Meus queridos filhos, podem agora ir para casa. Esses Seus atos gloriosos serão sempre famosos no mundo inteiro. Vocês estão acima de toda bênção, mas é meu dever abençoá-lOs. Por isso, eu Lhes dou a bênção de que tudo o que Vocês disserem permanecerá eternamente recente, assim como as instruções dos Vedas. Seus ensinamentos serão honrados não só neste universo ou neste milênio, mas em todos os lugares e épocas, e permanecerão cada vez mais novos e importantes”. Devido a essa bênção de Seu mestre, a Bhagavad-gita do Senhor Krishna está cada vez mais nova, e é famosa não só neste universo, mas em outros planetas e em outros universos também.

Tendo recebido a ordem de Seu mestre, Krishna e Balarama voltaram imediatamente para casa em Sua quadriga.

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Quarta-feira, 24 de Agosto de 2016

Dia 26 – Aparecimento (Vyasa-puja) de Srila Prabhupada!

 

 

 

Todas as glórias a Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada!

Fundador-Acharya da Sociedade Internacional para Consciência de Krishna

Eis a extraordinária pessoa que dedicou sua vida a ensinar o mundo sobre a consciência de Krishna, a mensagem de sabedoria espiritual mais nobre da Índia antiga.
Srila Prabhupada escreveu mais de quarenta volumes de tradução e comentários sobre tais clássicos como o Srimad Bhagavatam, o Caitanya Caritamrita e o Bhagavad-gita. Ele escreveu não unicamente como um erudito, mas como um praticante perfeito. Ele ensinou não apenas através de seus escritos, mas também por meio de seu exemplo de vida.
Ao longo de sua obra, a intenção de Srila Prabhupada foi transmitir o sentido natural das escrituras sem se desviar com interpretações especuladoras, propiciando-nos uma versão autêntica das conclusões védicas sobre tópicos tão importantes como o propósito da vida humana, a natureza da alma, a consciência e Deus.
Em 1965, representando uma nobre linhagem de mestres, que data desde milhares de anos, Srila Prabhupada navegou da Índia até Nova York, com a idade de 69 anos, para compartilhar a mensagem do Senhor Krishna. Trazia com ele nada mais que a roupa do corpo, uma caixa de livros e US$7 de troco. Nos anos que se seguiram, ele viajou e pregou em todo o mundo, abriu 108 templos e fundou a Sociedade Internacional para a Consciência de Krishna (ISKCON).
Apesar de não estar mais presente fisicamente no mundo, ele vive para sempre em seus livros, e nos corações daqueles cujas vidas ele tocou.
Não deixem de ler a biografia completa de Srila Prabhupada – “Srila Prabhupada Lilamrta”!

 

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Terça-feira, 16 de Agosto de 2016

Dia 18 celebramos o aparecimento de Sri Balarama!

 

 

 

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Os Mil Nomes do Senhor Balarama

 

 

Sri Pradvipaka

(Da Garga-samhita 8.13)

 

O melhor conselheiro (buddhi-sakha), aquele que é mais belo do que milhões de Cupidos (koti-kandarpa-lavanya), o inimigo dos demônios (asurari), aquele que peregrinou a Naimisharanya (naimisaranya-yatrarthi), o sustentáculo do Brahman (brahma-dhara), amigo do Senhor Shiva (gairisa) e aquele que rouba iogurte até ficar cansado (dadhi-caurya-krta-srama) são alguns dos nomes de Balarama. Conheça os mil nomes de Balarama falados por Gargamuni às vaqueirinhas de Vraja.

 

Verso 1

 

duryodhana uvaca

balabhadrasya devasya

pradvipaka maha-mune

namnam sahasram me bruhi

guhyam deva-ganair api

 

Duryodhana disse: Ó grande sábio Pradvipaka, dize-me, por favor, os mil nomes do Senhor Balarama, nomes estes mantidos em segredo até mesmo dos semideuses.

 

 

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Sexta-feira, 8 de Abril de 2016

Conexões Sagradas: Entrevista com o Autor

 

 

 

 

Entrevista com Hermano Trineto


Três histórias do Srimad-Bhagavatam, o grande clássico da literatura sagrada, descortinam seus ensinamentos sob as lentes da psicologia junguiana.

 

Volta ao Supremo: A que se propõe o livro Conexões Sagradas?

 

Hermano Trineto: O livro propõe-se a fazer uma leitura psicológica sobre histórias do Bhagavatam de pessoas que tiveram alguma realização ou experiência com o Sagrado, ou Krishna, sob a perspectiva da psicologia analítica, de Carl Gustav Jung. Assim, vão sendo delineados e analisados as experiências, conflitos e ensinamentos de três grandes personagens – Narada Muni, Dhruva Maharaja e Prahlada Maharaja  –, mostrando a todos nós o quanto essas histórias nos falam muito acerca da nossa própria condição humana como seres que estão tentando, de algum modo, encontrar uma conexão mais profunda e sagrada com a existência e com a própria Suprema Personalidade de Deus.

 

 

Conexões Sagradas, publicado pela editora Relighare.

 

Na famosa série de conversas com Hayagriva sobre diferentes pensadores ocidentais, Srila Prabhupada teceu considerações sobre Jung. Diferente da maioria dos outros pensadores sobre os quais conversou com Hayagriva, Srila Prabhupada mostrou-se apreciativo das ideias de Jung.


Volta ao Supremo: Quando surgiu em você o desejo de escrevê-lo?

 

Hermano Trineto: O desejo de escrever o livro partiu muito da minha experiência clínica em observar o quanto, de um modo geral, as pessoas vêm perdendo a noção do Sagrado em suas vidas cotidianas e, com isso, um sentido mais profundo que dê uma sustentação emocional e espiritual para suas vidas. Jung considerava que esta seria a verdadeira causa de muitas neuroses e outros desordens emocionais, o fato das pessoas não terem um propósito transcendente às suas vidas, acompanhado de um empobrecimento de sua vida simbólica. A partir dessa experiência, surgiu em mim o desejo de explorar um pouco essa temática, mostrando que a relação do homem ou o Ego, com a dimensão do Sagrado, ou Self, pode nos oferecer outras perspectivas em relação à nossa vida humana.

 

Volta ao Supremo: Por sua pesquisa, acha que há profunda afinidade entre as ideias de Jung e os ensinamentos doBhagavatam, em especial como apresentados por Srila Prabhupada?

 

Hermano Trineto: Certamente. Jung foi uma personalidade extremamente favorável ao estudo e compreensão das diferentes tradições religiosas e de seus simbolismos. Podemos, sim, estabelecer muitos paralelos com as observações de Jung e os ensinamentos de Srila Prabhupada e da literatura védica como um todo. Por exemplo, Jung nos adverte que o Ego material, ao contrário do que muitos advogam, não representa a totalidade da psique, e que quanto mais o homem se volta para a identificação com esse ego material, em termos de posses e realizações de ordem material, mais ele está sujeito a um completo esvaziamento de sua vida interior. Para Jung, a totalidade do nosso ser somente pode ser experimentada quando entramos em contato com a instância do Self. No meu livro, estabeleço algumas relações entre o eixo Ego-Self, que seria a relação entre o Falso ego condicionado e a Suprema Personalidade de Deus. Na verdade, tento estabelecer outros paralelos que considero significativos ao alongo das três histórias.

 

 

Hermano Trineto, o entrevistado.


Volta ao Supremo: E quais foram os critérios que o levaram a optar por essas três históricas especificamente, em meio a tantas outras no Srimad-Bhagavatam?

 

Hermano Trineto: O critério central foi o encontro com a Suprema Personalidade de Deus e de como, a partir desse encontro, a vida desses devotos pôde ser transformada. Para mim, eles viveram experiências culminantes, de grande iluminação, e é disso que precisamos hoje em dia, que possamos cultivar a nossa relação com Krishna de modo que possamos obter realizações espirituais genuínas e que deem condições para que possamos cultivar a nossa relação com Deus até o final de nossa vida. Assim, um dos conceitos centrais que nortearam a escolha dessas três histórias é a noção de experiência religiosa, e não apenas algo teórico ou distante de Deus.


Volta ao Supremo: Qual o grau de aceitabilidade entre os profissionais de Psicologia diante de um teísmo apresentado como solução para questões do campo primário da psicologia, a mente?

 

Hermano Trineto: Acredito que, entre os profissionais em geral, existe uma variação considerável em termos de aceitar ou não o aspecto do teísmo, e isso depende, em grande parte, da abordagem psicológica em que cada profissional se baseia. Sabemos que existem algumas correntes psicológicas, como a psicologia transpessoal e a psicologia analítica junguiana, que são mais favoráveis à questões acerca da espiritualidade e transcendência, enquanto outras abordagens, como a psicanálise, são mais restritivas. De qualquer modo, acho fundamental incluirmos a experiência religiosa e seus desdobramentos sobre o nosso psiquismo como tema de estudo, pois, como Jung sinalizou, parece que a psique apresenta, entre outros aspectos, uma função eminentemente religiosa.


Volta ao Supremo: Conte-nos um pouco sobre o processo de escrita da obra.

 

Hermano Trineto: Inicialmente, o processo criativo se deu através do que nós conhecemos como “brainstorm” ou “chuva de ideias”. Eu simplesmente comecei a analisar as histórias e fazer uma série de apontamentos de possíveis inter-relações entre os acontecimentos com a psicologia junguiana. Por exemplo, o que a morte da mãe de Narada poderia nos dizer em termos de uma leitura junguiana? A figura de Hiranyakashipu, que imagens ela poderia evocar do ponto de vista psicológico? O que representaria as austeridades de Dhruva Maharaja? Assim, procurei fazer alguns links entre certos acontecimentos com alguns conceitos junguianos e da psicologia em geral. Depois dessa primeira etapa, comecei a fazer uma pesquisa mais detalhada para fundamentar essas associações, vendo o que de fato tinha certa consistência teórica, com o propósito de eliminar possíveis especulações sem um maior fundamento. Diversas vezes, li e reli o texto seguindo essa linha de conduta. Por fim, o manuscrito final foi analisado por um colega meu da Universidade, professor Jorge Dellane, que escreveu também o prefácio e a quem sou eternamente grato pela análise minuciosa do texto final.

 

Volta ao Supremo: Nas três histórias analisadas, os protagonistas são crianças. Qual o significado disso?

 

Hermano Trineto: Acho que foi uma coincidência ter escolhido três histórias tendo crianças como protagonistas, mas podemos conjeturar, como abordo no final do livro, que a imagem da criança representa a dimensão do novo e de possibilidades futuras de crescimento e desenvolvimento, algo bem representativo em termos da nossa busca por autorrealização. Assim, o elemento criança nessas 3 histórias pode nos indicar que, na nossa busca pelo Supremo, devemos ser como crianças.


Volta ao Supremo: Qual das três histórias mais o agrada? Por quê?


Hermano Trineto: Acho que a história de Dhruva é a que me toca mais, talvez pelo seu ensinamento central, de que o nosso grande tesouro está na nossa relação com Krishna.

 

 

Dhruva Maharaja em seu encontro com o Sagrado.

 

Volta ao Supremo: Por fim, o livro é igualmente relevante para um adepto do vaishnavismo, ou do hinduísmo, e para uma pessoa fora dessa tradição?

 

Hermano Trineto: Sim. A minha tentativa foi produzir uma obra religiosa, mas que não fosse de modo algum proselitista, ou com uma linguagem específica de um grupo em particular. Para isso, utilizei o recurso da psicologia junguiana para trazer diferentes níveis de compreensão dos assuntos que vão sendo abordados. Já recebi comentários positivos de quem não tem qualquer conhecimento prévio sobre o hinduísmo ou a consciência de Krishna e penso que a obra é igualmente relevante para todos, como era a minha intenção e desejo original.

 

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Quinta-feira, 30 de Julho de 2015

Cultura Divina

 

 

 

 

 

Sua Divina Graça A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada

 

As pessoas não devem pensar que estamos pregando uma reli­gião sectária. Não. Estamos simplesmente pregando como amar a Deus.

 

Existe uma concepção equivocada de que o movimento da consciência de Krishna representa a religião hindu. Na verdade, a consciência de Krishna não é alguma forma de fé ou religião que procura destruir outras fés ou religiões. Ao contrário, é um movimento cul­tural essencial para toda a sociedade humana, e não se tem em conta nenhuma fé sectária particular. Este movimento cultural destina-se especialmente a educar as pessoas no atinente a como elas devem amar a Deus.

 

Algumas vezes, os indianos, tanto fora quanto dentro da Índia, pensam que estamos pregando a religião hindu, mas, na verdade, não é esse o caso. Ninguém encontrará a palavra “hindu” no Bhagavad-gita. Na rea­lidade, essa palavra “hindu” não existe em nenhuma parte da lite­ratura védica. Tal palavra foi introduzida pelos muçulmanos provenientes das províncias perto da Índia, como o Afeganis­tão, o Baluchistão e a Pérsia. Existe um rio chamado Sindhu, o qual faz fronteira com as províncias situadas a noroeste da Índia, e, uma vez que os muçulmanos daquela região não conseguiam pronunciar corretamente a palavra “Sindhu”, eles chamavam o rio de “Hindu”, e os habitantes dessa região, de “hindus”. Na Índia, segundo o idioma védico, os europeus são chamados mlecchas, ou yavanas. De modo similar, “hindu” é um nome dado aos indianos pelos muçulmanos.

 

A verdadeira cultura da Índia é descrita no Bhagavad-gita, onde se afirma que, de acordo com as diferentes qualidades, ou modos da natureza, existem diferentes classes de homens, que geralmente são classificados dentro de quatro ordens sociais e quatro ordens espiri­tuais. Esse sistema de divisão social e espiritual é conhecido como varnasrama-dharma. Os quatrovarnas, ou ordens sociais, são brahmana, kshatriya, vaishya shudra. Os quatro asramas, ou ordens espirituais, sãobrahmacharya, grihastha, vanaprastha sannyasa. O sistema varnasrama é descrito nas escrituras védicas conhecidas comoPuranas. O objetivo desta instituição da cultura védica é educar todos os homens no avanço do conhecimento acerca de Krishna, ou Deus. Nisso consiste todo o programa védico.

 

Ao conversar com o grande devoto Ramananda Raya, o Senhor Chaitanya perguntou-lhe: “Qual é o princípio básico da vida huma­na?”. Ramananda Raya respondeu que a civilização humana começa com a aceitação do varnasrama-dharma. Antes de se chegar ao padrão de varnasrama-dharma, não se pode falar de civilização humana. Portanto, o movimento da consciência de Krishna está ten­tando estabelecer este sistema correto de civilização humana, que é conhecido como “consciência de Krishna”, ou daiva-varnasrama  cultura divina.

 

Na Índia atual, o sistema varnasrama é enten­dido de modo pervertido, de maneira que um homem nascido na família de umbrahmana – a ordem social mais elevada – exige que deve ser aceito como um brahmana. Essa exigência, no entanto, não é aceita pelo shastra, a escritura. Nosso antepassado pode ter sido um brahmana se­gundo o gotra, ou a ordem hereditária da família, mas o verdadeiro varnasrama-dharma baseia-se na qualidade concreta que tenha­mos obtido, independentemente de nascimento ou hereditariedade. Portanto, não estamos pregando o atual sistema dos hindus, tampouco o sistema daqueles que estão sob a influência de Shankaracharya, pois Shankaracharya ensinou que a Verdade Absoluta é impessoal, em consequência do que ele nega indiretamente a existência de Deus.

 

A missão de Shankaracharya foi especial: ele apareceu para resta­belecer a influência védica após a influência do budismo. Porque o budismo foi patrocinado pelo imperador Ashoka 2.600 anos atrás, a religião budista tomou praticamente toda a Índia. Segundo a literatura védica, Buddha é uma encarnação especial de Krishna dotada de poder, a qual apareceu com um propósito especial. Seu sistema de pensamento, ou fé, foi largamente aceito, mas Buddha rejeitou a autoridade dos Vedas.Enquanto o budismo se espalhava, a cultura védica sofreu interrupção tanto na Índia quanto em outros lugares. Portanto, uma vez que o único objetivo de Shankaracharya era acabar com o sistema filosófico de Buddha, ele introduziu o sistema chamadomayavada.

 

Estritamente falando, a filosofia mayavada é ateísta, pois é um processo no qual “se imagina” que Deus existe. Semelhante sistema mayavada de filosofia existe desde tempos imemoriais. O atual sistema indiano de religião ou cultura baseia-se na filosofia mayavada de Shankaracharya, que se coaduna com a filosofia bu­dista. Segundo a filosofia mayavada, Deus, na verdade, não existe, ou, se Deus existe, ele é impessoal e onipenetrante e pode, por­tanto, ser imaginado sob qualquer forma. Essa conclusão não está de acordo com a literatura védica. Muitos semideuses, que são adorados para diferentes objetivos, são mencionados na literatura védica, mas, em todos os casos, o Senhor Supremo, a Personalidade de Deus, Vishnu, é aceito como o controlador supremo. Essa é a verdadeira cultura védica.

 

A filosofia da consciência de Krishna não nega a existência de Deus e dos semideuses, ao passo que a filosofia mayavadanega a existência de ambos. Para os mayavadis, tudo é, em última análise, nada. Eles dizem que se pode imaginar qualquer autoridade – seja Vishnu, seja Durga, seja Shiva, seja o deus do Sol – porque estes são os semideuses geralmente adorados na sociedade. Na verdade, entretanto, a filosofia mayavada não aceita a existência de nenhum deles. Os mayavadis dizem que, como não podemos concentrar a mente no Brahman impessoal, podemos imaginar qualquer uma dessas for­mas. Esse é um sistema novo, chamado panchopasana. Ele foi introduzido por Shankaracharya, mas o Bhagavad-gita não ensina doutrinas dessa espécie, as quais, portanto, não têm autoridade.

 

Bhagavad-gita aceita a existência dos semideuses. Os semideuses são descritos nos Vedas, e não se pode negar sua existência. Contudo, não devemos compreendê-los nem adorá-los de acordo com o método de Shankaracharya. A adoração a semideuses é rejeitada no Bhagavad-gita. Gita (7.20) afirma claramente:

 

kamais tais tair hrita jnanah

prapadyante ’nya-devatah

tam tam niyamam asthaya

prakritya niyatah svaya

 

“Aqueles cujas mentes são corrompidas por desejos materiais rendem-se aos semideuses e seguem as regras e regulações particu­lares de adoração conforme a própria natureza deles”. Ademais, no Bhagavad-gita (2.44), o Senhor Krishna afirma:

 

bhogaisvarya-prasaktanam

tayapahrita-cetasam

vyavasayatmika buddhih

samadhau na vidhiyate

 

“Nas mentes daqueles que estão muito apegados à gratificação dos sentidos e à opulência material, e que se deixam confundir por essas coisas, não ocorre a determinação resoluta de prestar serviço devocional ao Senhor Supremo”.

 

Aqueles que estão buscando os vários semideuses são descritos como hrita-jnanah, que significa “aqueles que perderam o discernimento”. Isso tam­bém é explicado mais detalhadamente no Bhagavad-gita (7.23):

 

antavat tu phalam tesham

tad bhavaty alpa-medhasam

devan deva-yajo yanti

mad-bhakta yanti mam api

 

“Homens de pouca inteligência adoram os semideuses, e seus frutos são limitados e temporários. Aqueles que adoram os semideuses vão para os planetas dos semideuses, mas Meus devotos alcançam Minha morada suprema”.

 

As recompensas dadas pelos semideuses são temporárias, porque qualquer vantagem material está neces­sariamente relacionada ao corpo temporário. Qualquer que seja a vantagem material obtida, seja mediante os modernos métodos científicos, seja mediante a obtenção de bênçãos por parte dos semideuses, acabará juntamente com o corpo. O avanço espiritual, no entanto, jamais terá fim.

 

As pessoas não devem pensar que estamos pregando uma reli­gião sectária. Não. Estamos simplesmente pregando como amar a Deus. Há muitas teorias sobre a existência de Deus. O ateísta, por exemplo, jamais acreditará em Deus. Ateístas como o profes­sor Jacques Monod, que ganhou o prêmio Nobel, declaram que tudo é acaso – teoria esta já advogada muito tempo atrás por filóso­fos ateístas da Índia, como Charvaka. Depois, outras filosofias, como a filosofia karma-mimamsa,aceitam que, se continuamos tra­balhando correta e honestamente, o resultado virá automatica­mente, sem que precisemos recorrer a Deus. Para dar provas disso, aqueles que propõem essa teoria citam o argumento de que, se alguém adoecer por causa de uma infecção e tomar remédio para neutralizá-la, a doença será neutralizada. Nosso argumento a esse respeito, todavia, é que mesmo que se dê o melhor remédio a uma pes­soa, ela ainda assim poderá morrer. Os resultados nem sempre po­dem ser prognosticados. Portanto, existe uma autoridade superior, daiva-netrena, um diretor supremo. Do contrário, como o filho de um homem rico e piedoso se torna um hippie de rua, ou um homem que trabalha arduamente e enriquece ouve seu médico dizer: “Agora o senhor não pode comer nada, somente sopa de cereais”?

 

A teoria karma-mimamsa advoga que o mundo continua exis­tindo sem a direção suprema de Deus. Semelhante filosofia diz que tudo acontece por luxúria (kama-haitukam). Através da luxúria, um homem sente-se atraído por uma mulher, e, por acaso, os dois fazem sexo e a mulher engravida. Na verdade, não são feitos planos para engravidar a mulher, mas, dentro de uma sequência natural, quando um homem e uma mulher unem-se, produz-se esse resultado. A teoria ateísta, que é descrita no décimo sexto capí­tulo do Bhagavad-gita como assúrica, ou demoníaca, é que, na verdade, tudo está acontecendo dessa maneira por causa do acaso, que resulta da atração natural. Essa teoria demoníaca apoia a ideia de que, se qui­sermos evitar filhos, podemos utilizar um método anticoncepcional.

 

Entretanto, a verdade é que há um plano superior para tudo – o plano védico. A literatura védica apresenta instruções sobre como homens e mulheres devem unir-se, como devem gerar filhos e qual é o objetivo da vida sexual. Krishna diz noBhagavad-gita que a vida sexual sancionada pela ordem védica, ou a vida sexual sob a orien­tação das regras e regulações védicas, é autêntica e aceitável para Ele. A vida sexual indiscriminada, em contrapartida, não é aceitável. Se, por acaso, uma pessoa se sente atraída sexualmente e gera filhos, esses filhos são chamados varna-sankara, ou seja, “população não desejada”. É assim que fazem os animais inferiores, mas isso não é aceitável para os seres humanos. Para os seres humanos, há um plano. Não podemos aceitar a teoria de que não há plano algum para a vida humana, ou de que tudo surge do acaso e da necessidade material.

 

A teoria de Shankaracharya de que Deus não existe e de que podemos continuar com nosso trabalho imaginando Deus sob qualquer forma apenas para manter a paz e a tranquilidade na sociedade também se baseia mais ou menos nessa ideia de acaso e necessidade. Nosso método, todavia, que é completamente diferente, baseia-se na autoridade. É este varnasrama-dharma divino que Krishna recomenda, não o sistema de castas como é entendido atualmente. O moderno sistema de castas é atualmente condenado na Índia também, e deve sê-lo, pois a classificação de diferentes categorias de homens de acordo com o nascimento não é o sistema de castas védico, ou divino.

 

Há muitas classes de homens na sociedade – alguns são engenhei­ros, outros são médicos, químicos, comerciantes, homens de negó­cios e assim por diante. Tais variedades de classes não podem, entretanto, ser determinadas pelo nascimento, mas, sim, pela quali­dade. Esse sistema de castas por nascimento não é sancionado pela literatura védica, nem nós o aceitamos. Nada temos a ver com o sistema de castas, que atualmente também está sendo rejeitado pelo público na Índia. Ao contrário, damos a todos a oportunidade de se tornarem brahmanas e assim atingirem a posição mais elevada da vida.

 

Como atualmente há grande escassez de brahmanas, guias espiri­tuais, e de kshatriyas, administradores, e como o mundo inteiro está sendo governado por shudras, ou homens da classe dos trabalhado­res braçais, há muitas discrepâncias na sociedade. É para mitigar todas essas discrepâncias que adotamos este movimento da consciência de Krishna. Se a classe dos brahmanas for realmente es­tabelecida, as outras ordens de bem-estar social seguirão automaticamente, da mesma forma que, se o cérebro está perfeitamente em ordem, as outras partes do corpo, tais como os braços, o estômago e as pernas, funcionam muito bem.

 

O objetivo último deste movimento é educar as pessoas no amor a Deus. O Senhor Chaitanya Mahaprabhu aprova a conclusão de que a perfeição máxima da vida humana é aprender a amar a Deus. O movimento da consciência de Krishna nada tem a ver com a religião hindu ou qualquer outro sistema de religião. Nenhum ca­valheiro cristão estará interessado em mudar sua fé cristã para a fé hindu. Da mesma forma, nenhum cavalheiro hindu que seja culto estará disposto a transferir-se para a fé cristã. Mudanças desse tipo são para homens que não têm posição social firmada. Contudo, todos estarão interessados em compreender a filosofia e a ciência de Deus e levá-las a sério. Deve-se compreender claramente que o movimento da consciência de Krishna não está pregando a suposta religião hindu. Estamos apresentando uma cultura espiritual que pode resolver todos os problemas da vida, em virtude do que ela está sendo aceita em todo o mundo.

 

Se gostou deste material, também gostará destes: Movimento Hare Krishna: Histórico, Filosofia e InformaçõesSignificados Bhaktivedanta: Um Avatar entre NósKrishna West: Como e Por quê.

 

 

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Sábado, 25 de Julho de 2015

Como um Rio que Corre para o Mar

 

 

 

 

 

 

 

Entrevista com Jahnavi Harrison

 

Jahnavi Harrison é conhecida pelos seus kirtanas hipnotizantes, mágicos e praticamente “de outro mundo”, os quais levam você a um reino de bem-aventurança divina. As pessoas costumam dizer que ela “canta como um anjo”. Nesta entrevista, fala sobre seu novo álbum, o show que fará em breve com Ananda Monet e um pouco sobre as coisas que a inspiram na vida.

 

Conte-nos mais sobre você.

 

Jahnavi Harrison: Nasci e fui criada em uma comunidade de praticantes de bhakti-yoga, o Bhaktivedanta Manor, uma fazenda que George Harrison doou para o Movimento Hare Krishna. Ali, cresci e fui à escola, onde, além de estudar as matérias regulares, também aprendíamos sobre a cultura e a prática de bhakti. Foi uma época muito feliz em minha vida, que certamente criou uma base firme para onde estou hoje. Sempre me senti atraída pelas artes, e minha infância foi repleta de música, dança e expressões criativas, mas também aprendíamos os ensinamentos essenciais de bhakti-yoga, que afirmam que tudo o que fazemos atinge seu valor infinito quando é oferecido a Deus. Sem dúvidas, tentar entender e aplicar esses ensinamentos têm me ensinado a enfrentar os altos e baixos na tentativa de viver uma vida plena.

 

Em que momento decidiu se tornar artista profissional?

 

Jahnavi Harrison: Esse momento nunca aconteceu! De fato, até onde consigo me lembrar, nunca me considerei uma artista ou musicista “de verdade”. Embora eu tenha me formado em música e dança na minha juventude, nunca considerei como uma profissão, mas, sim, como uma coisa que amo fazer. Quando devo preencher um formulário, sempre escrevo que minha profissão é “artista”, porém me identifico mais intensamente como uma serva de Deus. Meus talentos fazem parte do meu lado artístico, mas, basicamente, estou tentando usar aquilo que o Senhor me deu para servi-lO e para conectar outras pessoas a Ele. Tenho isso como muito libertador. Tenho percebido que, no mundo da arte e da música contemporâneos, os artistas costumam querer se expressar a partir de si mesmos, o que pode ir desde algo profundo e o significativo, até algo mais mundano. Considero que a arte devocional oferece uma oportunidade única para expressar a criatividade sem o ego.

 

Quais realizações espirituais a ajudam a superar as dificuldades?

 

Jahnavi Harrison: Não sei se possuo alguma realização especial. Acredito que o processo de criar é um processo de humildade, seja criando arte, cozinhando ou criando os filhos. O processo me obriga a reconhecer minha insignificância e como meus esforços são pequenos. Força-me a entender que nunca poderia tocar uma nota, ou ter uma ideia, se não recebesse a graça divina. Devo orar para poder ter habilidades, para poder servir. Com o passar do tempo, aprendi que, quando me esforço para manter esse estado de espírito, podem acontecer todo tipo de coisas, grandes ou pequenas.

 

 

 

Yamuna Devi com Srila Prabhupada.

 

A esse respeito, uma das maiores inspirações é Yamuna Devi (1942-2011). Ela amava Deus com devoção completa, era uma artista perita, chef premiada, musicista e escritora, amiga de todos e guia para muitos. Ela conhecia a arte do serviço devocional e outorgava essa compreensão aos outros com muita graça e alegria. Tive a fortuna de passar muito tempo com ela durante minha adolescência. A profundidade das suas habilidades e de sua humildade inabalável me marcaram profundamente, e se tornaram uma meta a seguir na minha vida.

 

Você e Ananda Monet estão lançando juntas seus trabalhos individuais. O que a inspirou a trabalhar com Ananda?

 

Jahnavi Harrison: Ananda é uma irmã e amiga muito querida, e nunca pensamos em trabalhar juntas – simplesmente aconteceu. Costumamos cantar juntas em eventos do projeto Kirtan London, ou quando oferecemos o projeto “Mantra Music Therapy” (terapia com música de mantras) em instituições privadas de reabilitação mental.

 

 

 

É um verdadeiro privilégio ajudá-la a lançar este álbum tão especial, e estou muito orgulhosa dela. Sem dúvidas, ela é uma cantora com muito talento – sempre me emociona escutá-la – mas, acima de tudo, ela tem um grande coração, e isso é o que ela transmite com sua música e tudo o que faz.

 

O que mais poderia contar-nos sobre seu álbum musical?

 

Jahnavi Harrison: Nenhuma de nós duas tinha realmente um grande desejo de lançar um álbum. De alguma forma, a oportunidade surgiu para ambas em diferentes situações. Começamos nossos projetos em momentos distintos, e trabalhamos neles em períodos diferentes. Acho que nunca imaginamos que iríamos finalizar ao mesmo tempo.

 

Meu álbum chama-se “Like a River to the Sea” (Como um Rio que Corre para o Mar), e apresenta diversas músicas da tradição de bhakti-yoga em composições musicais originais. Cada música traz um mantra sagrado, como a voz de uma personalidade santa do passado. Escolhi criar melodias novas para cada uma das músicas, então, para aqueles familiarizados com as letras, espero que isso os ajude a ouvirem os mesmos mantras de uma maneira renovada, e, para aqueles que o escutam pela primeira vez, espero que as músicas os atraiam e desperte seu interesse.

 

O álbum contém diversos instrumentos. Além de contar com a presença de amigos e familiares que tocam instrumentos tradicionais de kirtana, como a mridanga e o harmônio, também trabalhei com o pianista e ganhador de um Grammy John McDowell; com Ravi, que toca o instrumento da África oriental chamado kora; e com Asha, que toca violoncelo no estilo ocidental e oriental. Foi um prazer especial!

 

Escute aqui uma das músicas do álbum.

 

Qual a mensagem do título do álbum?

 

O título do álbum se refere a uma famosa oração da rainha Kunti. Ela ora a Krishna: “Assim como o rio corre sempre para o mar sem obstáculos, que minha atração se dirija constantemente a Ti, sem que seja desviada”.

 

Quais foram suas maiores inspirações?

 

Jahnavi Harrison: Minhas maiores inspirações foram as orações dos grandes santos que compuseram essas músicas; meu avô espiritual, A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada, que disse que essas músicas são como uma tempestade (o coração sente o trovão, embora não entenda a linguagem); e meus pais e mestres. Enquanto concebia e gravava este álbum, também tive a oportunidade de viajar a alguns lugares sagrados de peregrinação, e gravei os sons desses lugares para adicionar um toque do ambiente que inspirou a música.

 

O que gostaria de dizer às pessoas que vão para seu show?

 

Jahnavi Harrison: Gostaria que as pessoas viessem ao show com a mente e o coração abertos. Acredito que será uma experiência poderosa – não apenas pela presença dos maravilhosos artistas, musicistas e dançarinos –, mas porque será uma oferenda de amor e devoção, e isso tem a capacidade de deixar uma impressão profunda em nós.

 

Entrevista conduzida por Yadavi Devi Dasi.


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publicado por o editor às 14:41
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