Sexta-feira, 25 de Setembro de 2015

ESCURO de Ana Luísa Amaral  

 

 

ESCUROde Ana Luísa Amaral



15,5x22,5cm | 80 páginas 


Que terra é essa que se devenda no claro/escuro da poesia de Ana Maria Amaral. Densa na lírica, faca de rima fatiando o escuro perto/distante (E.C.)

As reinvenções de Ana Luísa inserem-se criticamente na atualidade de maneira profunda, incitando reflexões sobre a questão do gênero, a tradição lírica e o sentido político da poesia enquanto móbil da imaginação.
Mariana Ianelli

"Escuro é um poema em que Ana Luísa Amaral revisita a poesia a partir dos poetas que poeticamente escreveram a história de si próprios, como San Juan de La Cruz, ou a história da história, como William Blake, ou a história da poesia-feita-história, como Fernando Pessoa. A lucidez de Escuro canta a história nossa, que sempre na escola nos deixaram por contar" nos explica Maria Irene Ramalho

"Tudo começa a partir da memória pessoal, de um acaso e uma iluminação. À noite, ao deitar-se, outra noite se sobrepõe à do presente, e com ela, como num desfile de beleza e de terror, surgem, do passado, a alegria dos momentos da infância, como também a própria história, com raízes profundas na vida e na imaginação europeia – e por que não dizer, em nossa própria vida, já que, brasileiros, somos frutos deste mesmo sonho, para o bem e para o mal.
São camadas de tempo que a sonda sensível da poeta Ana Luísa Amaral, uma das mais importantes da poesia portuguesa contemporânea, parece arrancar do fundo do escuro e expor à luz do presente, logo no primeiro poema deste livro. Estas camadas, por assim dizer, coabitam neste mesmo momento de crise do capitalismo, em que lemos jornais e deparamos, atônitos, com “a violência de ser em cima desta terra”. Ou, como diz a poeta, tudo passa por um mesmo corredor. Ao lembrar a infância, “a cama e as cascatas frescas dos lençóis/ macios como estrangeiros chegando a país novo”, memória pessoal e história se encontram, entroncadas.
Seria impossível ler Escuro sem topar com Mensagem, de Fernando Pessoa, que já ecoava, em outro plano, Os Lusíadas, de Camões. Mas aqui a mitologia petrificada portuguesa parece ser questionada a partir do presente, quando o mito já se sabe mito e o que ocultava. “Comecei a formar-me/ a partir do mito”, escreve a poeta em “Nevoeiro” (que dialoga com outro nevoeiro, o de Pessoa).
Essa consciência ilumina as três partes de Escuro: “Claro-escuro”, com dois poemas, um de recorte lírico e outro com uma voz narrativa mais ampla, em que as raízes do processo do colonialismo europeu são postas do avesso, com saques e destruições “em nome de um equilíbrio novo”. Na parte central, chamada “Por que outra noite trocaram o meu escuro”, a poeta dá voz ao passado, seja a partir da “cobiça dos poderosos”, seja a da “sede dos mais pequenos por moedas”, além de pôr em cena as torturadas vozes femininas – daquela mulher, rainha ou não, que “estava ali, de lado”. Na última parte, “Em outra fala”, o futuro ecoa neste corredor do tempo, na busca de um “outro mundo de harmonia e sons”. E todas as vozes se reúnem, por fim, no lirismo de “O drama em gente: a outra fala”: “O lume que as sustenta,/ a estas vozes,/ é mais de dentro, e eu não sei o que dizer”.
A Europa que emerge destes poemas não é mais a contemplativa e melancólica de Pessoa, mas aquela que “não tem olhos, nem mãos, nem fita nada”. Uma Europa “sem esfinge que deslumbre”."
Escreve Heitor Ferraz Mello

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Quarta-feira, 22 de Abril de 2015

Sermões- Nuno Ramos

 

 

 

Sermões
Nuno Ramos

13x20cm 
216 páginas 
 
Uma Critica
 
Que Falar sobre Sermões?
Falar que -  Era hora de falar de sexo. Eu precisava tratar isso, saber como o sexo passa para o texto — diz Nuno, lembrando a imagem que deu origem à trama, uma irônica relação entre sexo e religião.Falar que - Nuno escreveu “Sermões” entre 2009 e 2015, e nesse meio tempo, em 2011, sua mãe morreu.
Falar que estou me repetindo e assim me repito - Uma poesia áspera, como a areia da praia, incomoda, que se transfere da mão à boca, que suja a barra da calça e na barra reesfregou o tronco, um enorme estrepe em nosso olho. Olho que vê/lê a poesia dura, feia, mal cheirosa que sai ganindo atrás de nosso carro. A poesia de Nuno é tudo o que se confunde e o que se contrasta, um livro que me deu um soco na boca do estomago com as rimas rilhando como areia em meus dentes, ensanguentados. A poesia de Nuno , POESIA o é! 
(E.C.)

 


 
 UMA APRESENTAÇÃO
 

Quando, em 2011, o Nuno me pediu que lesse esta obra, queria uma resposta para a questão que se colocam os escritores inteligentes: se o que fizeram merece nascimento. A par, revelou-me que a coisa ficara maluca.
Corajosos, sábios os que questionam a maluqueira sem resposta da existência humana!, sejam eles Platão, o filósofo que baniu os poetas da República, ou o protagonista deste Sermões, professor de filosofia reformado, autobanido tornado poeta. Obsceno significa, etimologicamente, fora de cena. Esse, o lugar dos exilados.
Respondo que, além de nascimento, este livro merece júbilo, celebração. Não são hoje os leitores dos poetas, como os poetas, exilados?
No espaço linguístico e cultural da língua portuguesa europeia e sul-americana, o vocábulo “sermões” remete ao padre Antônio Vieira (Lisboa, 1608 – Salvador/ BA, 1697), cuja vida de pregador ecoa em nossa memória cultural coletiva.
Um sermão é uma obra de circunstância aplicada a uma ocasião (litúrgica, da vida política, religiosa ou institucional). O autor está fisicamente envolvido no sermão enquanto pregador, oferecendo o corpo, a voz, o pensamento à assembleia. Uma componente biográfica marca tanto a leitura pública (forma sui generis de publicação) quanto a redação.
Autobiográfico, o protagonista de Sermões escreve para si sobre si, não para se comemorar mas para se registrar, nisso condensando as questões identitárias que todos os seres humanos se colocam alguma vez. Quem sou? O que faço aqui? Vale a pena? Subjacente, a dúvida quanto ao valor das condutas humanas que parecem esvaziadas dele (o cio cego, por exemplo) e, consequentemente, as questões do suicídio e da loucura. Coisa maluca.
Se a identidade não é suficiente, então não é autêntica; aqui, a demanda por mais identidade é feita no registro das experiências, mostrando que o entendimento depende da forma discursiva. A reflexão prévia ao entendimento surge não no ato, mas no ato em diferido registrado, isto é, na obra. É no registro do físico (a cópula) que o professor de filosofia arranca. Questionar o físico almeja o metafísico (o sentido). A carne, feita verbo, torna-se metafísica e faz-se verso, ou seja: poética.
Laica ou sagrada, a oratória foi sempre cívica. Oratória é, como a poesia, trabalho de linguagem.
 
 O AUTOR



  Nuno Álvares Pessoa de Almeida Ramos cursou filosofia na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP, de 1978 a 1982. Trabalha como editor das revistas Almanaque 80 e Kataloki, entre 1980 e 1981. Começa a pintar em 1983, quando funda o ateliê Casa 7, com Paulo Monteiro (1961), Rodrigo Andrade (1962), Carlito Carvalhosa (1961) e Fábio Miguez (1962). Realiza os primeiros trabalhos tridimensionais em 1986. No ano seguinte, recebe do Museu de Arte Contemporânea da Universidade de São Paulo - MAC/USP a 1ª Bolsa Émile Eddé de Artes Plásticas. Em 1992, em Porto Alegre, expõe pela primeira vez a instalação 111, que se refere ao massacre dos presos na Casa de Detenção de São Paulo (Carandiru) ocorrido naquele ano. Publica, em 1993, o livro em prosa Cujo e, em 1995, o livro-objeto Balada. Vence, em 2000, o concurso realizado em Buenos Aires para a construção de um monumento em memória aos desaparecidos durante a ditadura militar naquele país. Em 2002, publica o livro de contos O Pão do Corvo. Para compor suas obras, o artista emprega diferentes suportes e materiais, e trabalha com gravura, pintura, fotografia, instalação, poesia e vídeo.


Escreveu os livros Cujo (1993) e O pão do corvo (2001), pela Editora 34; Minha fantasma (2000), edição do autor; Ensaio Geral (2007) e O mau vidraceiro (2010), pela Editora Globo; Ó (2009, prêmio Portugal Telecom Melhor Livro do Ano) e Junco (2011, prêmio Portugal Telecom Melhor Livro de Poesia), pela Iluminuras.
 
 

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Terça-feira, 11 de Novembro de 2014

o perdão imperdoável de Maria Carpi

 

 


o perdão imperdoável

de    Maria Carpi


Páginas:     144

Formato:     14 x 21 cm


  


UMA VISÃO DELICADA E CORAJOSA SOBRE O PERDÃO

O perdão é, por definição, o processo espiritual de cessar o sentimento de raiva por alguém. Uma remissão de culpa. Em seu novo livro, a poetisa Maria Carpi inverte esta visão, afirmando que esta dor só será minimizada no momento em que cada um aprender a se perdoar.

Por meio de poemas sensíveis, mas ao mesmo tempo, afiados, Maria argumenta que, provavelmente, o perdão é o sentimento mais complexo do ser humano. O perdão imperdoável ilustra os diversos tipos de perdão que cada um enfrentará na vida, desde o nascimento até a morte, propondo uma reflexão a respeito do amor e questionando: estarão as pessoas prontas para amar e serem amadas?


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Terça-feira, 5 de Agosto de 2014

ERA UMA VEZ OS PALESTINOS Gilberto Nogueira de Oliveira

 

ERA UMA VEZ OS PALESTINOS
Gilberto Nogueira de Oliveira
Da faixa negra de tanta fumaça
Da faixa vermelha de tanto sangue
Um choro surdo que nem Deus dá ouvidos
Grita aos inúmeros cantos do mundo
Salvem os palestinos.
Choro ao ver tantos pedaços de carne
De crianças que ainda não viveram.
É um covil de degradações humanas.
Eu vi, eu senti.
Um vasto campo de crianças famintas
Um campo de desgraças tantas
De sionistas sanguinários
Especialistas em infanticídio. 
O câncer do mundo moderno
Cometendo velhos crimes;
Mulheres e crianças palestinas 
Reduzidas a pedaços, apenas.
Eu vi, eu senti.
Eu vi um monstro sionista
Armado pelos Estados Unidos
A sorri com frieza 
Ao olhar crianças e mulheres
Com cabeças arrebentadas 
Seus cérebros expostos.
Espalhados pelos escombros.
Foi apenas o que restou.
Eu vi, eu senti.
A ordem é exterminar os palestinos
Para ocupar seu território
E aumentar o braço armado
Num país já desgraçado
Com crianças explodidas,
Crianças com cabeças ocas,
Seus cérebros espalhados pelo chão
E disputados pelos abutres.
Eu vi, eu senti
Que pensam de mim?
Que estou destilando meu ódio
À podridão dos sionistas
Com sua bandeira de Davi
Enrolada em seu corpo protegido
E ensanguentado pelos restos de seus crimes.
Tétrica visão, apenas,
Do seu capitalismo selvagem.
Eu vi, eu senti
Crianças mortas em série 
Como se fossem códigos de barras
Seus pais com os corações dilacerados
E feridos por balas assassinas.
Num mundo infernal e bíblico
Eu assisti ao verdadeiro holocausto
Diante da estrela de Davi.

 

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Domingo, 27 de Julho de 2014

SERES HUMANOS Raul Longo

 

 

SERES HUMANOS
Raul Longo

Quando eles nos massacraram 
Incas, Maias e Astecas;
fomos Incas, Maias e Astecas
por sermos humanos.

Quando eles nos massacraram 
Tupis e Guaranis
fomos Tupis e Guaranis
por sermos humanos.

Quando eles nos massacraram
Negros Africanos
fomos Negros Africanos
por sermos humanos

Quando eles nos massacraram
Navajos e Comanches
fomos Navajos e Comanches
por sermos humanos

Quando eles nos massacraram 
Judeus e Ciganos
fomos Judeus e Ciganos
por sermos humanos

Quando eles nos massacraram
Asiáticos
fomos Asiáticos 
por sermos humanos

Agora que nos massacram 
Palestinos
somos todos Palestinos 
porque eles continuam não sendo 
seres humanos.

 

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Quinta-feira, 8 de Maio de 2014

Tradução de Nicolas Guillén, feita por Urda Alice Klueger

 

BARES

Autor: Nicolas Guillén – (poeta cubano) escrito em 1958

Tradução: Urda Alice Klueger – (brasileira) traduzido em 2006

Amo os bares e botequins

Junto ao mar
Onde a gente conversa e bebe
Só por beber e conversar.
Donde João Ninguém chega e pede
Seu trago básico
E estão João Bronco e João Navalha
E João Narizes e até João
Simplório, e só, e simplesmente
João.
Ali a branca onda
Bate de amizade; uma amizade de povo, sem retórica,
Uma onda de: “ Oi, como estás?”
Ali cheira a peixe
A mangue, a rum, a sal
E a camisa suada posta a secar ao sol. 
Busca-me, irmão, e me acharás
(em Havana, no Porto,
Em Jacmel, em Shangai)
com a gente simples
que só por beber e conversar
povoa os bares e botequins
junto ao mar.

 

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Terça-feira, 5 de Novembro de 2013

As quatro estações de João Proteti/Marília Cotomacci

 

As quatro estações

       

de  João Proteti/Marília Cotomacci

 


Edição:     01
Área:     Literatura infantil
Coleção:     Catálogo geral

Lançamento:     17/09/2013
Ano 1ª Edição:     2013
Acabamento:     Colado e costurado
Encadernação:     Brochura
Nº Páginas:     64
Orelha:     Sim
Público Alvo:     Pais, educadores e crianças.

           

O LIVRO

A primavera chega com seus versos cheios de cor. O verão, depois, pede poemas fresquinhos, de preferência acompanhados de um delicioso sorvete!
Já o outono vem tímido, sem saber se veste botas ou chinelos. E o inverno?

Descubra aqui o que As quatro estações levaram o João e a Marília a inventar!

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Sexta-feira, 27 de Setembro de 2013

Ciranda de Sombras de Silvério Duque

 

 

Ciranda de Sombras

 

de Silvério Duque

Formato: 14 x 21 cm
Número de Páginas: 128
Acabamento: Brochura

Lançamento: 2013
Ler Ciranda de Sombras é algo como ler um memorial, é acompanhar a história íntima de um homem por meio da sua relação com seus poemas preferidos e que lhe apontaram o caminho a seguir e lhe amadureceram a pena. É, sem dúvida, uma obra de formação, uma obra que narra a passagem do tempo. Assim, não parece ser mera coincidência este livro começar com uma alegre narrativa da subida de algumas crianças a uma serra (“...subíamos a Serra/como quem imitava a própria vida”) e terminar com quatro elegias que desembocam no poema final, no qual se lê: “Tudo é memória”.

O AUTOR
Silvério Duque
Nasceu em Feira de Santana, Bahia, aos 31 de março de 1978. Exerce profissionalmente a carreira de músico desde os 12 anos, participando, como clarinetista, das Bandas Filarmônicas 14 de Agosto e Maria Quitéria, na cidade de Tanquinho.
Coordenou a escola de música da Sociedade Filarmônica Euterpe Feirense.
É professor universitário, formado pelo Curso de Licenciatura em Letras Vernáculas da Universidade Estadual de Feira de Santana. Seu primeiro livro publicado foi o opúsculo O Crânio dos Peixes (2002), seguido de Baladas e Outros Aportes de Viagem (2006) e A Pele de Esaú (2010). Seu trabalho também é encontrado nas antologias II Prêmio Literário Canon de Poesia – 2009 e Concurso Feirense de Poesia Godofredo Filho e na revista Dicta & Contradicta 8.

A CRITICA
Absorvidos por essa viagem por espaços e por impressões, somos compelidos a reconhecer a erudição e elegância de Silvério Duque e a admitir o desafio que seus poemas fazem a seus leitores. E esta é característica elementar pertencente a produções artísticas que pretendem ser notáveis: o Desafio. As obras literárias não devem existir para agradar aqueles que as leem, senão para instigar-lhes a sensibilidade e a inteligência.
Nívia Maria Vasconcellos, Folha do Estado,
16 de maio de 2004
.

Já disse e torno a repetir: Silvério é, para mim, entre os novos, o melhor poeta brasileiro que conheço.
Gustavo Felicíssimo, Sopa de Poesia,
10 de outubro de 2008.


Decididamente poeta, e poeta sério, do soneto, do verso medido...
Ildásio Tavares, Tribuna da Bahia,
05 de outubro de 2009. 

lançamento

Editora É Realizações





 

 

 

 


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Segunda-feira, 12 de Agosto de 2013

A educação dos cinco sentidos de Haroldo de Campos

 

 

A educação dos cinco sentidos

de Haroldo de Campos

160 paginas
cd de audio

Trinta anos depois de seu lançamento original, a Iluminuras traz de volta A educação dos cinco sentidos, obra poética central na produção de Haroldo de Campos.

Quando se completam dez anos da morte do autor, esta nova edição, preparada por Ivan de Campos, tem acréscimos importantes para uma melhor fruição do livro: textos de Kenneth David Jackson, Andrés Sánches Robaina ajudam a compreender melhor a recepção da obra, tanto no Brasil como no exterior. Encerrando o volume, o relato divertido e saudoso de João Ubaldo Ribeiro sobre um encontro com Haroldo.

Como bônus, acompanha o volume uma gravação inédita com leituras de poemas por Christopher Middleton e Haroldo de Campos.

O AUTOR

Haroldo de Campos (1929 - 2003)  

Haroldo Eurico Browne de Campos (São Paulo SP 1929 - São Paulo SP 2003). Poeta, tradutor, ensaísta, irmão mais velho do também poeta, tradutor  e ensaísta Augusto de Campos (1931). Lança seu primeiro livro de poesias, O Auto do Possesso, em 1950, pelo Clube de Poesia de São Paulo, ligado à chamada Geração de 45, com a qual rompe no ano seguinte. Com o irmão Augusto e o poeta e ensaísta Décio Pignatari (1927), forma o grupo Noigandres e edita a revista-livro homônima, em 1952. Em 1956, participa da organização da Exposição Nacional de Arte Concreta no Museu de Arte Moderna de São Paulo - MAM/SP que, um ano depois, é montada no saguão do Ministério da Educação e Cultura - MEC, no Rio de Janeiro. Em 1958, publica, em Noigandres 4, o Plano-Piloto para Poesia Concreta, novamente com seu irmão Augusto e Pignatari. Juntos, em 1965, lançam também o livro Teoria da Poesia Concreta. Defende a tese de doutorado Morfologia do Macunaíma, em 1972, na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo - FFLCH/USP. No ano seguinte, assume a cadeira de semiótica da literatura no programa de pós-graduação em comunicação e semiótica da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo - PUC/SP, onde permanece até 1989. Publica Galáxias, um de seus textos mais conhecidos, em 1984. Como tradutor de poesia, dedica-se a diversas obras, com especial destaque para os autores de vanguarda, como o poeta norte-americano Ezra Pound (1885 - 1972) e o romancista irlandês James Joyce (1882 - 1941). Sua obra valoriza a utilização de recursos tecnológicos  e a interação da poesia com a música.


Haroldo de Campos, no programa Roda Viva, em outubro de 1996.

 


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Segunda-feira, 1 de Julho de 2013

"Vozes" de Ana Luíza Amaral

 

"Vozes"

de Ana Luíza Amaral

No de Paginas:120
   
Yara Frateschi Vieira escreve sobre "Vozes" de Ana Luíza Amaral -

"Dois poemas circunscrevem o território poético em que transitam os textos deste último volume de Ana Luísa Amaral: o que lhe serve de abertura intitula-se “Silêncios” e o que o fecha, “Vozes”. Assim, no plural, silêncios e vozes remetem-nos, em primeira instância, a experiências concretas na relação miúda e cotidiana com os seres e objetos, lugares e momentos, emoções e afetos, que, não obstante, nos atingem de forma pontual e única / o fio mais afiado que punhal.

Mas, por outro lado, defrontamo-nos também com o silêncio e a voz, demarcadores de uma linguagem que se reconhece, antes de mais nada, como o lugar da falha, da falta, da incoincidência, e nele aceita instalar-se, exibindo-o, ao mesmo tempo que procura frestas por onde escapar. A inscrição minuciosa da busca desses caminhos, com os seus desvios, correções de percurso e becos sem saída, é não só um tema preferido, mas um procedimento constitutivo da poesia de Ana Luísa Amaral.

Para ele contribuem a violência operada sobre a sintaxe, por meio de elisões e suspensões, ou as alterações bruscas na dicção; para o mesmo fim, trabalham as revisitações de certos poemas, corrigindo-os, ampliando-os ou explicitando sentidos que antes tinham estado subentendidos ­— talvez.

Preferindo, contudo, deixar visível o que neles rasura, e insistindo igualmente no registro da sua própria hesitação ou luta, a poeta rejeita a forma mais discreta que a escrita (ao contrário da fala, que não pode apagar o impróprio) lhe permitiria. Assume, dessa maneira, para usar uma palavra que lhe é cara, a imperfeição como dado ineludível do existir e do dizer.

Além de retrabalhar os seus próprios poemas, revisita também textos de outros autores, às vezes com um grau alto de fidelidade, como na tradução de Rilke; outras, rasurando parcial ou mesmo quase completamente o texto original: reinventa, assim, a trágica história do mítico par amoroso, Pedro e Inês, ao pôr em cena, em tom burlesco, um casal contemporâneo de velhos com as suas mazelas físicas, perdido totalmente o fulgor que ele bem sabe ser doença / de imaginação. Reelabora ainda, na secção “Outras Vozes”, certos temas míticos da história portuguesa, a partir de perspectivas que lhe dita a consciência da modernidade, atenta às explorações de toda ordem: a das novas terras colonizadas ou a das mulheres enquanto protagonistas anônimas, silenciosas e muitas vezes vítimas da história.

A paisagem vulcânica dos Açores surge-lhe como um texto onde se pode ler o princípio / de tudo / como um quadro / negro. Mas, a visita à torre de Galileu (“Galileu, a sua torre e outras rotações”) induz o verso a buscar o avesso da criação (não por acaso avesso é também uma palavra eleita pela poeta, quem sabe pela afinidade etimológica com verso), projetando-a para daqui a cinco bilhões de anos, quando a Terra murchará como maçã / num sótão às escuras; o que sobrar de nós talvez, num acaso feliz, se reorganize para compor o andamento próximo:/ o quinto / movimento — sobre o qual, contudo, o poema silencia."



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