Segunda-feira, 1 de Dezembro de 2008

A REPUBLICAÇÃO DE UM CLÁSSICO



 





Os Africanos no Brasil


Quando os holandeses se estabeleceram em Recife, os negros encontrados
nos engenhos de açúcar eram um número muito pequeno para as necessidades da cultura da cana de açúcar e mesmo com a capturas dos navios negreiros portugueses a carência de escravos ainda era muito grande. Em vista desta carência de negros na carência de negros da colônia foi com que os holandeses em 1637 passaram a comprar em Guiné e em 1641 de Angola, no ano de 1645 atingira a cifra de vinte e três mil cento sessenta e três negros adquiridos pela Companhia das Índias Ocidentais que maneiam o monopólio de comercialização. Entre os africanos expostos a venda em leiloes os negros adquiridos em troca de armas em Gênova valiam de doze a setenta e cinco florins e em Angola de trinta a oitenta e cinco florins e quando eles eram sadios, robustos e conformados seus preços subiam consideravelmente e quando vendidos em Recife auferiam grandes lucros. Os negros de Angola do grupo Bantus eram os que recaiam maior preferencia entre os senhores de engenho porque se revelavam com muita disposição para o trabalho e podiam ser facilmente ensinados pêlos escravos mais antigos nas fazendas, eram muitos asseados e habilidosos ao contrario dos negros de Guiné que não agradavam aos fazendeiros por serem preguiçosos e difíceis de se acostumarem a obedecer ordens e ao trabalho, porém em mãos de quem o soubesse dirigir eram capazes de produzir mais do que os negros de Angola. No ano de 1642 foi verificada uma grande perda em conseqüência de um surto de varíola que atacou os negros de Itamaracá, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará e Maranhão que alguns lugares ceifou a vida de todos pessoal que trabalhava nas lavouras.

O AUTOR

Raimundo Nina Rodrigues

Médico e antropólogo brasileiro nascido em Vargem Grande, MA, fundador da antropologia criminal brasileira e pioneiro nos estudos sobre a cultura negra no país. Iniciou medicina na Bahia, mas concluiu no Rio de Janeiro, RJ (1888). Voltou à Bahia para assumir a cátedra na Faculdade de Medicina da Bahia (1891), onde promoveu a nacionalização da medicina legal brasileira, até então inclinada a seguir padrões europeus.

Desenvolveu profundas pesquisas sobre origens étnicas da população e a influência das condições sociais e psicológicas sobre a conduta do indivíduo. Com o resultados de seus estudos propôs uma reformulação no conceito de responsabilidade penal, sugeriu a reforma dos exames médico-legais e foi pioneiro da assistência médico-legal a doentes mentais, além de defender a aplicação da perícia psiquiátrica não apenas nos manicômios, mas também nos tribunais.

Também analisou em profundidade os problemas do negro no Brasil, fazendo escola no assunto e faleceu em Paris, França. Entre seus livros destacaram-se As raças humanas e a responsabilidade penal no Brasil (1894), O animismo fetichista dos negros da Bahia (1900) e Os africanos no Brasil (1932).

O Instituto Médico-Legal Nina Rodrigues (IMLNR), o mais antigo dos quatro órgãos que compõem a estrutura do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, foi criado (1906) pelo Prof. Oscar Freire e intitulado Nina Rodrigues pela Congregação da Faculdade de Medicina da Bahia, em homenagem ao famoso professor catedrático de Medicina-Legal, falecido naquele mesmo ano, aos 44 anos de idade.

O LIVRO

Os Africanos no Brasil
de Nina Rodrigues


Os africanos que desembarcavam no Brasil vinham de todos os cantos da África, nos famosos navios negreiros, em condições subumanas. Eles traziam consigo uma bagagem preciosa que ninguém podia lhes tirar: as diversas tradições e os valores culturais de seus antepassados. O interesse do antropólogo, médico e historiador Nina Rodrigues levou-o por meio da psicologia social a pesquisar profundamente a raça negra e a classificar suas manifestações culturais, seus ritos e seus costumes.

O autor percorreu as ruas de Salvador e de cidades de outros Estados entrevistando antigos africanos, procurando descobrir a verdade encoberta no decorrer dos tempos. Dedicou quase 15 anos de sua vida tentando salvar a memória negra brasileira.

Nina Rodrigues lamentava a perda do idioma, dos costumes e das tradições dos africanos trazidos ao Brasil. Mesmo assim, conseguiu destacar a influência do negro na culinária, no linguajar e na música. Ele também lamentava o estágio civilizatório dos escravos iletrados e fazia referências positivas aos escravos sudaneses que eram islâmicos, sabiam ler e escrever, e que lideraram uma revolta importante em Salvador, em 1835, conhecida como "Revolta do Malês".

Embora já tivesse publicado diversos ensaios sobre a cultura negra, foi em Os Africanos no Brasil que ele reuniu a parte mais consistente de suas pesquisas sobre os costumes preservados pelos afro-descendentes.

UM LANÇAMENTO




 

publicado por o editor às 12:14
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