Segunda-feira, 6 de Janeiro de 2014

POLÍTICA PÚBLICAS E CAPOEIRA - Relançamento de Mestres e capoeiras famosos da Bahia (2ª edição)

 

 

POLÍTICA PÚBLICAS E CAPOEIRA

Os negros escravos, vindos principalmente de Angola, não aceitaram pacificamente o cativeiro, e já nos rituais religiosos praticavam danças de ritmo frenético, ao som de instrumentos de percussão. As danças eram coreografias de gestos rápidos e precisos cheias de saltos e ginga de extraordinária flexibilidade e agilidade. Dali surge a possibilidade de para escaparem de seus feitores, aliar sua destreza de movimentos a golpes de lutas africanas e desenvolvendo assim uma técnica de defesa e ataque surpreendentemente inovadora.Nascia a Capoeira.
Era o século XVII e a luta foi desenvolvida para os escravos enfrentarem as capturas violentas e cruéis dos chamados Capitães de Mato. Os confrontos aconteciam em geral nas capoeiras. E assim vinha a expressão para os escorraçados algozes - Eles nos pegaram na copeira! E capoeira ficou.
Em 1821, a capoeiragem já era severamente reprimida. Sua prática ficou sujeita a castigos corporais e a medidas não menos punitivas. O governo republicana, instaurado em 1889, deu continuidade à política de repressão e associou diretamente a Capoeira à criminalidade, como consta no Decreto 847 de 11 de outubro de 1890 com o título "Dos Vadios e Capoeiras":
Artigo 402: Fazer nas ruas ou praças públicas exercícios de destreza corporal, conhecidos pela denominação de capoeiragem: pena de seis meses a dois anos de reclusão.
§ Único: É considerada circunstância agravante pertencer o capoeira a alguma banda ou malta. Aos chefes, ou cabeças, impor-se-á a pena em dobro.

A Secretaria Nacional de Esporte Educacional, órgão do Ministério do Esporte, trabalha para o reconhecimento da capoeira como esporte genuinamente nacional e já está em curso a elaboração do plano nacional de política pública para a capoeira, no mesmo espírito do projeto-de-lei apresentado na Assembléia Legislativa da Bahia.

 
Nas ações propostas com a parceria entre os ministérios da Cultura, Esporte e Educação trabalha-se para que a capoeira não seja vista apenas como prática desportiva, mas como atividade cultural e artística. Queremos ainda a Capoeira em todas as escolas uma vez que a maioria das escolas que tem a capoeira como prática desportiva é da rede particular. A queremos nas escolas públicas.
Dentro dessa visão é de Fundamental importância -
Criar fundos de incentivos públicos de apoio à capoeira;
Mapear, registrar e documentar as manifestações de capoeira;
Estabelecer instâncias de diálogo entre o Estado e a sociedade civil para a formulação e deliberação de políticas culturais e incentivo à prática da capoeira;
Criar mecanismos que favoreçam a inclusão das culturas populares nos processos educativos formais e informais, como a utilização da capoeira nos programas educacionais, de esporte e lazer;
Criar marcos legais de proteção aos conhecimentos tradicionais e aos direitos coletivos;
Democratizar a distribuição de recursos nas várias regiões do Brasil;
Facilitar o acesso e desburocratizar os instrumentos de financiamento de modo a democratizá-los aos segmentos populares.
 

Antes de mestre Pastinha (que nasceu em 1889) abrir sua escola Mestre Bimba foi o responsável pela criação do método de ensino da Capoeira Regional. A Capoeira ganhava uniformização e método de ensino.
Manoel dos Reis Machado (mestre Bimba) utilizou seus amplos conhecimentos da Capoeira de Angola e do Batuque para criar em 1928 a Capoeira Regional. Nascido em  1900 (23 de novembro, Salvador/Bahia) adquiriu a condição de Mestre graças ao reconhecimento de seu trabalho e pelo respeito da sociedade baiana.
Coincidentemente foi em 1889 que mestre Pastinha nasceu (em 5 de Abril, Salvador/ Bahia). Ele foi o maior nome da Capoeira de Angola. Ele manteve os fundamentos desse tipo de Capoeira e implantou alguns de sua criação. Mesmo com toda a sua importância, morreu na miséria em 13 de novembro de 1981.
No final do século XIX surgem as de capoeiras, grupos que se multiplicaram depois no século passado e no qual se incluíam figurões importantes da política da época. As maltas no Rio ficaram famosas, entre elas as denominadas Cadeira de Senhora (freguesia de Sant'Anna), Guaiamuns (freguesia da Cidade Nova), Luzianos (Praia de Santa Luzia) e Espada (Largo da Lapa). Há registros em jornais e livros da época, relatando a atuação de grupos semelhantes em São Paulo, Recife e Salvador.
Insatisfeito com o preconceito e a marginalização que envolviam a arte-luta brasileira,  Mestre Bimba resolve criar a Capoeira Regional.
A chegada de Getúlio Vargas ao poder, leva a medidas para angariar a simpatia popular e entre elas a liberação de uma série de manifestações populares. O presidente Getúlio convidou Manoel dos Reis Machado, o mestre Bimba, para uma apresentação no Palácio do Governo. Temendo a popularização da arte - luta, Getúlio Vargas permitiu a abertura da primeira academia de capoeira, que teria um cunho folclórico. Após isso a capoeira perderia em parte suas características de luta marginal e vadiagem, visto que para freqüentar a academia de mestre Bimba os indivíduos eram obrigados a ter carteira de trabalho assinada.
A partir de 1972, surgiram as primeiras Federações Estaduais, sob a direção do Departamento Nacional de Luta Brasileira, sendo organizadas várias competições nacionais dentro de uma visão pugilista. Em 23 de outubro de 1992, após reformulação, este Departamento foi transformado na Confederação Brasileira de Capoeira, e foi vinculada ao Comitê Olímpico Brasileiro em 1995. Hoje a Capoeira se encontra em 164 países em todos os continentes. No Brasil, 6 milhões de pessoas praticam a arte, segundo dados da CBC (Confederação Brasileira de Capoeira) e da FIC (Federação Internacional de Capoeira), com sede em Lisboa.
A Capoeira integrou ainda a Confederação Brasileira de Pugilismo, entidade eclética, durante vários anos administrou os esportes de lutas, assim como, Karatê, Judô, Artes Marciais, Luta Livre e Greco-Romana, etc. até que as modalidades foram se organizando e formando suas próprias entidades específicas. Na Assembléia Geral Extraordinária em 8 de maio de 1998, com a reforma dos estatutos e adequação à Lei Pelé, a denominação foi alterada para Confederação Brasileira de Boxe.
PRINCÍPIOS
O conceito de Diversidade Cultural é fator fundamental para a construção contemporânea das Políticas Públicas, especialmente nas áreas da Cultura e das Políticas Sociais. A Declaração Universal sobre a Diversidade Cultural e os atuais esforços desenvolvidos no âmbito da UNESCO, em torno de uma futura Convenção Internacional sobre a proteção e promoção da Diversidade Cultural evidenciam a centralidade dessas discussões.
Ao longo da história, a exclusão dos segmentos populares das políticas públicas de nosso país, bem como a segregação social e racial, têm sido fatores determinantes na desvalorização de sua produção cultural. Daí a urgência na discussão e construção de uma política nacional envolvendo os interessados - sociedade civil e gestores - a partir de um amplo debate por todo o país, que deve levar em conta os contextos locais de decisão. Garantir as condições de criar, difundir e fruir as expressões das Culturas Populares, bem como o acesso à educação e formação de qualidade que respeite a nossa diversidade cultural são direitos e elementos fundamentais para um projeto de desenvolvimento nacional.
É preciso que se lembre que o artigo 215 da Constituição Federal de 1988, determina que:
"O Estado garantirá a todos o pleno exercício dos direitos culturais e acesso às fontes da cultura nacional, e apoiará e incentivará a valorização e a difusão das manifestações culturais".
E no parágrafo primeiro especifica que:
"O Estado protegerá as manifestações populares, indígenas e afro-brasileiras, e as de outros grupos participantes do processo civilizatório nacional."
Dentre as políticas públicas que devem contemplar a capoeira destacamos -
·           criação de um Centro de Referência no Pelourinho, em Salvador, que servirá não só de acervo de pesquisas, livros, adornos e imagens sobre a Capoeira, mas também de espaço para atividades. A Bahia, assim, deve se afirmar como uma espécie de 'Meca da Capoeira';
·           criação de um programa para escolas de todo o Brasil junto aos ministérios da Educação e do Esporte, que também considere a capoeira como prática cultural e artística, e não apenas como prática desportiva;
·           criação de uma previdência específica para artistas, com atenção especial aos capoeiristas;
·           apoio diplomático aos capoeiristas que hoje vivem no exterior - que podem ser considerados verdadeiros embaixadores da Cultura Brasileira;
·           reconhecimento do notório saber dos mestres;
·           lançamento de editais de fomento para projetos que usem a capoeira como instrumento de cidadania e inclusão social.
RELANÇAMENTO DE UMA OBRA FUNDAMENTAL  - 


Mestres e capoeiras famosos da Bahia (2ª edição)

Autor(a): Pedro Abib
Ano: 2013
Área: Artes cênicas e recreativas
Editora: EDUFBA
Edição: 2ª

Nº de Páginas: 195
Dimensões: 17 x 24 cm
Acabamento: Brochura
Peso: 340 g
Idioma: Português

“Sem a lembrança dos antepassados (serão ancestrais?), a capoeira não tem (en)canto”, afirma Frederico José de Abreu no prefácio da obra, e tal lembrança é a principal característica do livro, que traz, ao longo de seus capítulos, vários nomes de mestres capoeiristas que tiveram importância na história da capoeira baiana, como Besouro, Bimba, Pastinha, Bobó, Ferrerinha de Santo Amaro, entre outros. O livro é resultado das pesquisas realizadas pelo Grupo MEL – Mídia, Memória, Educação e Lazer da Faculdade de Educação da UFBA, do qual o autor é coordenador.

 
LANÇAMENTO


publicado por o editor às 11:43
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