Terça-feira, 20 de Novembro de 2007

Final - Vamos Saber...

Retornando a Marc Ferro, o motor de sua série de palestras que culminaram no livro foi um debate televisivo sobre Joana D' Arc. Para enfrentar tal façanha leu todos os bons livros sobre assunto incluindo a obra de dois historiadores ingleses, Edward Lucie Smith e Robert Greenblatt que abordavam uma questão que jamais havia pensado. "Apoiados no depoimento de Jean d'Aulun, um dos companheiros de Joana d'Arc, lembravam que 'ela não tinha os contratempos habituais das jovens mulheres' nem atração pelos rapazes. Fico sabendo,então, por esses autores anglo-saxões, que algumas moças podem vir a ter atordoamentos, 'visões' e não sei mais o quê."
Chegando ao debate Ferro encontrou além do arcebispo de Rouen, conhecidos aduladores de Joana d'Arc, e em sua hora de falar ... "senti de repente minha boca congelar, meus lábios tremerem e respondi:- na Rússia, Joana d'Arc era considerada uma heroína nacional, da estirpe de Alexandre Nevski...- e não pude emitir mais nenhum som. Naquele dia, compreendi o que era um tabu: aquilo sobre o que se silencia, por medo, por pudor, confirma Alain Rey. Diferencia-se, com certeza, da proibição aplicada mais precisamente ao que não está autorizado, e distingue-se da auto-censura ou da censura, constantemente invocadas como explicação de todos os silêncios da História".
È óbvio que a muitos é irrelevante que na verdade Moisés (no saber de Gerald Messadié), um dos gigantes da história da humanidade, na verdade fundador de uma religião e líder de um povo, era na verdade egípcio. Explicamos, para os egípcios os filhos pertenciam às suas mães, era delas a ascendência, e muito embora filho de pai hebreu, o líder dos hebreus era filho de Nezmet-Tefnut, egípcia e irmã do faraó Ramsés II. Derrocada a história de cestinhos de junco, foi só aos 15 anos de idade que teve um contato mais estreito com os hebreus.
Grandes heróis não deixam de ser heróis por opções sexuais ou talvez por uma ou outra excentridade. Alexandre, O Grande é um exemplo. Seu gênio militar se impôs sobre o império persa e foi a base da Civilização Helenica. Na arte da guerra recebeu lições do pai, militar experiente que lhe transmitiu conhecimentos de estratégia e lhe deu os dotes de comando. Ainda jovem teve oportunidade de demonstrar seu valor quando, aos 18 anos, no comando de um esquadrão de cavalaria, venceu o batalhão sagrado de Tebas na Batalha de Queronéia em 338 a.C. Depois do assassinato de seu pai em 336 a.C. subiu ao trono da Macedônia e iniciou a expansão territorial do reino. Para a empreitada contou com poderoso e organizado exército, dividido em infantaria, cuja principal arma era a zarissa (lança de grande comprimento) e cavalaria, que constituía a base do ataque. Tão poderoso homem fazia-se acompanhar de jovens imberbes que o serviriam no que a história podia convencionar de "o descanso do guerreiro".
Outro herói foi Ricardo I ,o Ricardo Coração de Leão. Ricardo foi coroado em 3 de setembro de 1189, fato prejudicado por um tumulto e perseguição à comunidade judaica, na Inglaterra, como parte da histeria causada pelas preparações para a Cruzada. O fato é que Ricardo era possuidor de um caráter intrigante, que provocou muito debate entre os historiadores. Na realidade seu interesse na Inglaterra era a possibilidade de ser uma boa fonte de renda. "Ele nunca falou uma palavra de inglês, embora tenha ali nascido, mas era por natureza ligado à França. Mesmo assim, isso não impediu de ser visto como uma das figuras mais heróicas da Inglaterra." explica W.B.Bartlett em seu livro Historia Ilustrada das Cruzadas (Ediouro).
Segundo Jean Plaidy em sua "Saga dos Plantagenetas" (Editora Record), Ricardo foi criado na França entre cavaleiros e trovadores, era heróico e suas campanhas na Sicília, a conquista de Chipre e as vitória na Terra Santa lhe deram a fama. "Porém Ricardo possuía também uma estranha natureza, revelada no conflituoso relacionamento com o rei Felipe da França, no elo místico com o sultão Saladino e na dedicação do menestrel Blondel, que viajou pela Europa até descobrir seu adorado amo na fortaleza de Dürenstein". O leão enfim, tinha seu lado doce que faria parte dessa era de esplendor e de crueldade, mais que isso, foi o caráter aventureiro de Ricardo que levou ao enfraquecimento da instituição monárquica na Inglaterra, abrindo caminho para a crise que seria desencadeada no reinado seguinte.
A realeza sempre nos deu boas histórias e muitas controvérsias, uma das grande polêmicas do século passado foi a morte do Czar Nicolau II e de toda a sua família. Segundo Marc Ferro o assassinato de Nicolau II e da família imperial pelos bolcheviques,em Ekaterimburg, em julho de 1918,é um acontecimento bem identificado, tão conhecido quanto a execução de Luís XVI. No entanto, muitas informações e igualmente muitos indícios levantam um dúvida quanto à realidade do relato sobre esse assassinato - não fosse a sobrevivência da mais jovem das filhas da família imperial, Anastácia, que disseram ser uma impostora". Bela, talvez nem tanto como Ingrid Bergman, Anastásia na verdade foi verdadeiramente reconhecida por Botkine Filho, mas devemos perguntar, quem gostaria de acreditar nele? Ele que havia sido seu colega de brincadeiras em Petrogrado e depois na Sibéria, tendo retornado dos Estados Unidos, fica sabendo que a família, depois de ter reconhecido Anastásia, renega-a para assegurar a passagem da herança de Romanov ao ramo de Cirilo. O dinheiro também é motor da história. Mas tudo poderia ter um ponto final por aqui não fosse a Igreja Católica Ortodoxa Russa ter decidido canonizar Nicolau II, sua esposa e os cinco filhos do casal. A canonização do último Czar da Russia, Nicolau II, juntamente com a esposa Alexandra e os cinco filhos do casal: Aleksey, Olga, Tatiana, Maria e Anastásia. Foi decidida na reunião do Conselho Eclesiástico na presença do Patriarca Alexis na qual os arcebispos decidiram também canonizar outros 853 mártires do século XX, muitos dos quais eram sacerdotes e monges mortos pelos comunistas.

"Talvez ninguém aceite outra versão dos fatos
Que a fantasia é a mordaça da realidade
Os ídolos de barro para os insensatos
E, aos verdadeiros homens, homens de verdade!"

sinto-me:
publicado por o editor às 23:32
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2 comentários:
De Fotógrafo em Florianópolis a 19 de Novembro de 2018 às 15:04
Muito bom!

https://guilhermeantunes.com.br/


De Portal dica online a 25 de Novembro de 2018 às 13:46
Adorei o post


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