Quarta-feira, 4 de Fevereiro de 2015

CIDADES- FANTASMA SÃO REGISTRADAS POR DIMITRI LEE PARA EXPOSIÇÃO NA GALERIA DE BABEL

 

 

Fotografias em preto e branco captam o que sobrou das cidades salitreiras, espalhadas pelo deserto ao norte do Chile

 

No dia 10 de fevereiro, terça-feira, a Galeria de Babel abre a exposição “Salitreiras”, de Dimitri Lee, nas quais o fotógrafo exibe 16 trabalhos produzidos nas cidades salitreiras, espalhadas pelo deserto na região norte do Chile – redutos industriais que tiveram seu auge na primeira metade do século XX e que são agora cidades-fantasma. A exposição fica em cartaz na galeria até o dia 30 de março.

Em uma viagem ao deserto do Atacama para testar uma nova máquina panorâmica, Dimitri Lee tomou conhecimento sobre a história das cidades salitreiras e decidiu averiguar. Encantado pelo que encontrou por lá e atormentado pela falta de registros fotográficos da região, deu início a uma série de viagens, munido de uma câmera 8 x 10 polegadas.

“Há poucos registros fotográficos das salitreiras, e existem centenas delas. Algumas estão em bom estado de conservação, outras semi-conservadas e algumas são quase sítios arqueológicos, com apenas algumas ruínas restantes”, detalha o fotógrafo. “Há na exposição uma fotografia dos resquícios de uma torre, que é tudo o que resta de uma dessas salitreiras”, conta ainda.

Essas cidades industriais de exploração do salitre começaram atividade no final do século XIX na região, com capital inglês e tecnologia alemã. “O salitre serve para a produção de fertilizante e de pólvora. Rendeu muito dinheiro em tempos de paz e mais ainda em guerra”, explica Dimitri. Com o advento da amônia sintética, possibilitando a produção de fertilizante industrial, as salitreiras entraram em colapso. Foi após essa crise que a Bolívia acabou perdendo para o Chile sua saída para o Oceano Pacífico.

Entre 2005 e 2011, Dimitri Lee fez incontáveis viagens à região. A opção pela máquina 8 x10 tornou o processo mais lento. “Eu ficava hospedado nos hotéis mais próximos, que ficam pelo menos 200 km distantes da região, acordava de manhã e ia pra lá fotografar. Há quem diga que a qualidade das 8 x 10 continuam superiores às câmeras digitais ainda hoje, mas eu optei por essa técnica por gosto pessoal. Eu só conseguia carregar dez chapas de filme por vez na mochila, então só tinha dez cliques a cada ida às salitreiras. Quando você está com uma câmera digital, você vai registrando direto. Com uma 8 x 10, é necessário observar muito atentamente, pois cada clique envolve muito custo”, conta Dimitri.

As fotografias foram impressas no MR Estúdio Digital em jato de tinta piezográfica sobre papel de algodão. O estúdio é um dos pouquíssimos proprietários no mundo de uma impressora de 160 cm para tinta piezográfica, à base de carvão – apenas pigmento, sem corante. Essa técnica confere às impressões maior riqueza de tons de cinza e também muito mais durabilidade.

Embora Dimitri Lee tenha feito esses registros imagéticos da região, não enxerga seu trabalho como um documento histórico. “Eu fui pra lá como turista. Não pertenço àquele local, não tenho conexão com essa história. O meu registro é artístico”, diz. “Mas essa história ainda vai precisar ser contada”, conclui.

 

A galeria – Fundada em 1999 por Jully Fernandes, a Galeria de Babel consolidou seu papel no cenário brasileiro de artes plásticas, sendo a primeira a trabalhar exclusivamente com fotografia. A convite da Magnum Photos de Nova York, na época dirigida por Mark Lubell, atualmente diretor do ICP – International Center of Photography, de 2009 a 2011, a galeria trabalhou em parceria na América Latina para venda de fine art prints e projetos culturais.

A Galeria de Babel inaugurou no final de 2014 seu novo espaço, instalado na esquina da Alameda Lorena com a Rua Ministro Rocha Azevedo, na charmosa Vila Modernista, construída pelo arquiteto Flávio de Carvalho. Com adaptações feitas pelo arquiteto Stephan Steyer, a Babel se apresenta como um cubo branco que integra seu entorno de maneira harmônica, como uma galeria de vila. Os pisos originais, de cerâmica e de taco, foram mantidos, bem como a escada de madeira.

A Galeria de Babel participa de feiras de arte, como a SP-Arte, SP-Arte Brasília, SP Arte/Foto e P/ARTE. Entre seus artistas representados estão Araquém Alcântara, Steve McCurry, Elliott Erwitt, Ara Güler, Thomas Hoepker, Luiz González Palma, Zoe Zapot, Dimitri Lee e Paolo Ventura. Além de galeria, a Babel atua como agência e realiza inúmeras exposições em parcerias com museus, galerias, institutos culturais, festivais, feiras de arte e grandes leilões, onde os artistas são promovidos em âmbito nacional e internacional, trabalhando ainda em projetos em parceria com os maiores nomes da arquitetura e decoração.

 

O artista – Nascido em São Paulo, em 1961, Dimitri Lee, autodidata, começou a carreira trabalhando como assistente nos estúdios da Editora Abril em 1978, onde atuou até 1980. Em 1981 montou estúdio próprio e começou a trabalhar com publicidade, atendendo as principais agências do Brasil. Em 2000 começou a utilizar o formato panorâmico em projetos de expressão pessoal. Embora tenha muita experiência em informática, tem resistência no seu uso em fotografia, preferindo usar filme de grande formato. Entre suas exposições de destaque estão “Templos Politeístas” (Cinemateca Brasileira, São Paulo, 2006), exposição do acervo da MEP – Maison Européenne de la Photographie, que possui cinco obras da série “Salitreiras” (Paris, 2013), e “Exerianas” (Espaço Cultural Porto Seguro, São Paulo, 2014).

 

Exposição “Salitreiras”, de Dimitri Lee, na Galeria de Babel

Abertura da exposição: 10 de fevereiro, às 19h30

Visita guiada às 18h30

Visitação: de 11 de fevereiro a 28 de março

De terça a sexta, das 10h às 19h; sábados, das 11h às 17h

Vila Modernista (Alameda Lorena, 1257), Casa 2, Jardim Paulista – São Paulo

 

Telefone: (11) 3825.0507

 

publicado por o editor às 03:28
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