Quarta-feira, 6 de Maio de 2015

Da Autorrealização ao Amor Puro

 

 

 


 

Da Autorrealização ao Amor Puro


 


03 SI (artigo - Evolução Espiritual) Da Autorrealização ao Amor Puro (1504) (sankirtana)




A.C. Bhaktivedanta Swami Prabhupada



Conhecer-se é apenas o começo.



A autorrealização, o estágio brahma-bhūta, é o começo da vida espiritual, e não o estágio de perfeição. Se uma pessoa entende que não é o corpo e que nada tem a ver com o mundo material, torna-se livre do enredamento material. Entretanto, essa realização não é o estágio de perfeição. O estágio de perfeição começa com a atividade na posição autorrealizada, e essa atividade se baseia na compreensão de que a entidade viva é um servo eternamente subordinado do Senhor Supremo. De outra maneira, não existe significado para a autorrealização. Se alguém se envaidece com a ideia de que é o Brahman Supremo, ou de que se tornou uno com Nārāyaṇa, ou de que se fundiu na refulgência brahma-jyotir, não compreendeu a perfeição da vida. Como o Śrīmad-Bhāgavatam (10.2.32) declara:



ye 'nye 'ravindākṣa vimukta-māninas

tvayy asta-bhāvād aviśuddha-buddhayaḥ

āruhya kṛcchreṇa paraṁ padaṁ tataḥ

patanty adho 'nādṛta-yuṣmad-aṅghrayaḥ



Sujeitos que estão falsamente envaidecidos, pensando que se libertaram simplesmente por terem compreendido sua posição constitucional como Brahman, ou alma espiritual, ainda estão, em verdade, contaminados. Sua inteligência é impura porque não compreendem a Personalidade de Deus. Em última instância, caem de sua posição de vaidade.





Indivíduos que de fato se associam com o Senhor Supremo, Kṛṣṇa, são os mais elevados entre todos os transcendentalistas.



De acordo com o Bhāgavatam (1.2.11), existem três níveis de transcendentalistas: os conhecedores autorrealizados do aspecto do Brahman impessoal da Verdade Absoluta; os conhecedores de Paramātmā, o aspecto localizado do Supremo, que é entendido mediante o processo do yoga místico; e os bhaktas, que estão em conhecimento da Suprema Personalidade de Deus e se ocupam em Seu serviço devocional. Aqueles que compreendem apenas que um ser vivo não é matéria, mas alma espiritual, e que desejam se fundir na Alma Espiritual Suprema estão na posição transcendental mais baixa. Acima deles, estão os yogīs místicos, que, através da meditação, veem dentro do coração a forma de Viṣṇu, que tem quatro braços, a forma de Paramātmā, ou Superalma. No entanto, indivíduos que de fato se associam com o Senhor Supremo, Kṛṣṇa, são os mais elevados entre todos os transcendentalistas. No sexto capítulo do Bhagavad-gītā (6.47), o Senhor confirma isto:



yoginām api sarveṣāṁ mad-gatenāntar-ātmanā

śraddhāvān bhajate yo māṁ sa me yukta-tamo mataḥ



“E, de todos os yogīs, aquele que tem muita fé e sempre permanece em Mim, pensa em Mim dentro de si mesmo e presta serviço transcendental amoroso a Mim é o mais intimamente unido a Mim em yoga e é o mais elevado de todos. Eis a Minha opinião”. Esse é o estágio mais elevado de perfeição, conhecido como prema, ou amor a Deus.



No Bhakti-rasāmṛta-sindhu (1.4.15-16), Śrīla Rūpa Gosvāmī, uma grande autoridade na linha devocional, descreve os diferentes estágios até o ponto do amor a Deus:



ādau śraddhā tataḥ sādhu-saṅgo 'tha bhajana-kriyā

tato 'nārtha-nivṛttiḥ syāt tato niṣṭhā rucis tataḥ

athāsaktis tato bhāvas tataḥ premābhyudañcati

sādhakānām ayaṁ premṇaḥ prādurbhāve bhavet kramaḥ



A primeira condição é que a pessoa deve ter fé suficiente de que o único processo para obter amor a Deus é bhakti, o serviço devocional ao Senhor. Ao longo do Bhagavad-gītā, o Senhor Kṛṣṇa ensina que o sujeito deve abandonar todos os outros processos de autorrealização e render-se completamente a Ele. Isso é fé. Quem tem fé completa em Kṛṣṇa (śraddhā) e se rende a Ele está apto a ser elevado ao nível de prema, que o Senhor Caitanya ensinou como sendo o estágio de perfeição mais elevado da vida humana.



Algumas pessoas são aditas da religião materialmente motivada, enquanto outros são aditos do desenvolvimento econômico, da gratificação dos sentidos ou da ideia da salvação da existência material. Prema, o amor por Deus, entretanto, está acima de tudo isso. O estágio mais elevado de amor fica acima da religiosidade mundana, acima do desenvolvimento econômico, acima da gratificação sensorial e acima até mesmo da libertação, ou salvação. Destarte, o amor a Deus começa com a firme fé de que a pessoa que se ocupa em completo serviço devocional logrou a perfeição de todos esses processos.



O próximo estágio no processo de elevação ao amor a Deus é sādhu-saṅga, associação com pessoas já no estágio mais elevado de amor a Deus. Alguém que evita semelhante associação e simplesmente se ocupa em especulação mental, ou dita meditação, não pode ser elevado à plataforma de perfeição. Porém, quem se associa com devotos puros ou com uma sociedade devocional elevada avança para o estágio seguinte, a saber, bhajana-kriyā, ou aceitação dos princípios reguladores da adoração ao Senhor Supremo. Quem se associa com um devoto puro do Senhor naturalmente aceita essa pessoa como seu mestre espiritual, e, quando o devoto neófito aceita um devoto puro como seu mestre espiritual, o dever do mestre espiritual é treinar o neófito nos princípios do serviço devocional regulado, ou vaidhi-bhakti. Neste estágio, o serviço do devoto baseia-se em sua capacidade de servir o Senhor. O mestre espiritual perito ocupa seus seguidores em atividades que gradualmente desenvolverão sua consciência de serviço ao Senhor. Portanto, o estágio preliminar para se compreender prema, amor a Deus, é aproximar-se de um devoto devidamente puro, aceitá-lo como mestre espiritual e prestar serviço devocional regulado sob sua guia.





Guru e discípulo, e a Superalma no coração de ambos.



O próximo estágio se chama anartha-nivṛtti, no qual todas as apreensões da vida material são aniquiladas. Uma pessoa gradualmente atinge esse estágio por praticar regularmente os princípios primários do serviço devocional sob a guia do mestre espiritual. Há muitos maus hábitos que adquirimos por nos associarmos com a contaminação material, sendo estas as principais: relações sexuais ilícitas, comer alimentos de origem animal, cedermos à intoxicação e nos envolvermos com jogos de azar. A primeira coisa que o mestre espiritual perito faz quando ocupa seus discípulos no serviço devocional regulado é instruí-los a absterem-se desses quatro princípios da vida pecaminosa.



Visto que Deus é supremamente puro, o sujeito não pode se elevar ao estágio de perfeição mais elevado de amor a Deus sem se purificar. No Bhagavad-gītā (10.12), quando Arjuna aceitou Kṛṣṇa como o Senhor Supremo, ele disse, pavitraṁ paramaṁ bhavān: “És o mais puro dos puros”. O Senhor é o mais puro, motivo pelo qual qualquer um que deseje servir o Senhor Supremo também tem que ser puro. A menos que uma pessoa seja pura, não pode nem compreender o que é a Suprema Personalidade de Deus nem se ocupar em Seu serviço amoroso, pois o serviço devocional, como declarado anteriormente, começa do ponto da autorrealização, quando todos os receios da vida materialista são superados.



Após seguir os princípios reguladores e purificar os sentidos materiais, o sujeito logra o estágio de niṣṭhā, “firme fé no Senhor”. Quando a pessoa atingiu esse estágio, ninguém é capaz de desviá-la da concepção da Suprema Personalidade de Deus. Ninguém pode persuadir esse indivíduo a pensar que Deus é impessoal, sem forma, ou que alguma forma criada pela imaginação possa ser aceita como Deus. Aqueles que aderem a essas concepções mais ou menos destituídas de sentido acerca do Senhor Supremo não podem dissuadi-lo da firme fé que tem na Suprema Personalidade de Deus, Kṛṣṇa.





O Bhagavad-gītā, o diálogo sagrado entre Kṛṣṇa e Seu discípulo Arjuna, deve ser compreendido como ele é.



No Bhagavad-gītā, o Senhor Kṛṣṇa enfatiza em muitos versos que Ele é a Suprema Personalidade de Deus. Contudo, apesar de o Senhor Kṛṣṇa enfatizar esse ponto, muitos ditos estudiosos e comentadores ainda negam o conceito pessoal do Senhor. Um estudioso famoso escreveu em seu comentário ao Bhagavad-gītā que a pessoa não tem que se render ao Senhor Kṛṣṇa ou mesmo aceitá-lO como a Suprema Personalidade de Deus, senão que deve, em vez disso, render-se ao “Supremo dentro de Kṛṣṇa”. Semelhantes tolos não sabem o que é “dentro” e o que é “fora”. Comentam sobre o Bhagavad-gītā segundo seus próprios caprichos. Tais sujeitos não podem se elevar ao estágio mais elevado do amor a Deus. Podem ser estudiosos, e talvez sejam elevados em outros departamentos do saber, mas não são nem mesmo neófitos no processo de alcançar o estágio mais elevado de perfeição, amor a Deus. Niṣṭhā implica que se devem aceitar as palavras do Bhagavad-gītā, as palavras da Suprema Personalidade de Deus, como elas são, sem nenhum desvio ou comentário contrassensual.



Se alguém é afortunado o bastante para vencer todos os receios causados pela existência material e elevar-se ao estágio de niṣṭhā, pode, então, elevar-se ao estágio de ruci (gosto) e āsakti (apego ao Senhor). Āsakti é o começo do amor a Deus. Por progredir, a pessoa, então, avança para o estágio de desfrutar de trocas recíprocas com o Senhor em êxtase (bhāva). Toda entidade viva é eternamente ligada ao Senhor, e seu relacionamento pode ser em uma de muitas disposições transcendentais. No estágio de nome āsakti, apego, o indivíduo pode entender sua relação com o Senhor Supremo. Quando ele compreende sua posição, começa a reciprocar com o Senhor. Por meio da constante reciprocação com o Senhor, o devoto é elevado ao estágio mais elevado de amor a Deus, prema.







Se gostou deste material, também gostará destes: Como o Trabalho Pode Ser Adoração, O Florescer da Consciência, A Busca pela Bem-Aventurança Eterna.

Do Blog Volta ao Supremo. Leia outros artigos em www.voltaaosupremo.com.

 

 
publicado por o editor às 13:59
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