Terça-feira, 2 de Dezembro de 2014

MEMÓRIAS DA VELHA GUARDA DE PARATY SÃO TEMA DE EXPOSIÇÃO E JORNADA DE DEBATES

 


Memória oral da geração mais antiga de paratienses é a fonte da exposição audiovisual Histórias e Ofícios do Território, do Museu do Território de Paraty, que relembra a vida na cidade durante os anos de isolamento, antes da inauguração da rodovia Rio-Santos (anos 1970). Na abertura, uma jornada de debates sobre ofícios tradicionais reúne convidados de Paraty, do Rio e de São Paulo.

 

Habituados a dar a palavra a visitantes de todas as partes do Brasil e do mundo, os paratienses são os narradores em primeira pessoa de uma história ainda desconhecida por muitos, mas que será reconstituída durante três meses, no Centro Histórico de Paraty.

Concebida a partir da memória oral de paratienses da velha guarda, selecionados em pesquisa de campo junto à comunidade, a exposição audiovisual Histórias e Ofícios do Território, primeira ação pública do Museu do Território de Paraty, pretende rememorar a vida na cidade antes dos anos 1970, quando foi inaugurada a rodovia Rio-Santos (BR-101). Com ela, veio o progresso, mas também começou a acabar um modo de vida.

Histórias e Ofícios do Território é parte do processo de implementação do Museu do Território de Paraty, com patrocínio do BNDES, uma iniciativa da Casa Azul, que realiza a Festa Literária Internacional de Paraty (Flip).

 

JORNADA DE DEBATES

Uma pequena jornada de debates, de 4 a 6 de dezembro, abrirá a mostra, que permanecerá em cartaz até 8 de março de 2015, espalhada por dois espaços expositivos e por 15 pontos do Centro Histórico.

Na jornada, o tema principal são os ofícios tradicionais de Paraty. Cada mesa de debate reunirá um convidado de fora e um local, especializados, cada um à sua maneira, na mesma área. Professores de artes plásticas, biologia marinha, patrimônio histórico, antropologia e sociologia da alimentação vão conversar informalmente com seus correspondentes locais sobre pintura, o mar, os peixes, a cidade, as comidas, as festas.

 

EXPOSIÇÃO

Na exposição, a história oral dos paratienses é o principal conteúdo. Após a seleção, por indicação da comunidade, dos representantes da geração mais antiga, depositária das lembranças mais profundas da cidade, estabeleceu-se um foco: os ofícios tradicionais, em vias de desaparecimento ou de sofrer transformação radical, como a arte de construir canoas, o comércio de secos e molhados, a pesca, a comida, a arte popular, o ensino nas escolas do passado.

Trechos desses depoimentos foram transcritos em 15 placas comemorativas espalhadas pela cidade e em dois espaços expositivos: o Espaço Experimental de Cultura – Cinema da Praça e a Casa da Cultura de Paraty (sala Samuel Costa). Na Casa da Cultura ainda será realizada uma oficina sobre memória e fotografia, com o fotógrafo Walter Craveiro.

 

PLACAS COMEMORATIVAS

A tradicional linguagem da sinalização de monumentos históricos é subvertida para dar relevo a testemunhos de pessoas comuns, gravados em 15 placas comemorativas.

As placas serão fixadas em muros erguidos durante o processo de tombamento da cidade, concluído em 1974, para fechar lotes vagos.

 

OFICINA DE FOTOGRAFIA E MEMÓRIA

A Sala Samuel Costa, na Casa da Cultura de Paraty, abriga a oficina pedagógica Redescobrindo Paraty: fotografia, história e memória. Ministrada pelo fotógrafo Walter Craveiro, a oficina busca construir um mapa afetivo de Paraty por meio do resgate da memória de seus participantes. Tendo como público alvo moradores de Paraty, com mais de 17 anos, ou menores de 17, desde que cursando o ensino médio, a oficina será realizada em dois momentos: entre os dias 3 e 5 de dezembro de 2014 (módulo 1) e 27 e 28 de fevereiro de 2015 (módulo 2).

 

 

INFORMAÇÕES

 

Espaço Experimental de Cultura Cinema da Praça: depoimentos em vídeo de antigos moradores paratienses e painéis expositivos (de 4 de dezembro de 2014 a 8 de março de 2015)

Pela cidade: placas comemorativas com testemunhos de moradores

 

Casa da Cultura de Paraty

sala Samuel Costa: oficina Redescobrindo Paraty: fotografia, história e memória com Walter Craveiro (de 3 a 5 de dezembro de 2014 e de 27 a 28 de fevereiro de 2015) e exposição (de 4 de dezembro a 1 de março de 2015)

auditório: jornada de debates (de 4 a 6 de dezembro de 2014)

 

Programação Jornada de Debates


Quinta-feira, 4 de dezembro

Sessão 1 – 18h30

Abertura

André Bazzanella

Mauro Munhoz

 

Sexta-feira, 5 de dezembro

Sessão 2 – 16h

Do patrimônio material ao patrimônio imaterial

Angelo Oswaldo

Luciane Gorgulho

 

Sessão 3 – 18h

Ecossistemas do território

Almir Tã

Rodrigo Leão de Moura

 

Sessão 4 – 20h

O território caiçara

Carlos Alberto Dória

Zé Ferreira


Sábado, 6 de dezembro

Sessão 5 – 15h

Artes e formas do território

Júlio Paraty

Paulo Pasta

 

Sessão 6 – 16h30

Sabores do território

Maria Rameck

Paula Pinto e Silva

 

Convidados Jornada de debates

Almir Tã - pescador, artesão e líder comunitário da Ilha do Araújo, autor do livro Cultura caiçara

André Bazzanella - técnico do Iphan na Costa Verde do RJ

Angelo Oswaldo - presidente do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), ex-prefeito de Ouro Preto

Carlos Alberto Dória - sociólogo, autor de Formação da culinária brasileira

Júlio Paraty - pintor paratiense

Luciane Gorgulho - responsável pelo departamento de Economia da Cultura do BNDES

Maria Rameck - professora e especialista na culinária paratiense

Mauro Munhoz - arquiteto, diretor-presidente da Associação Casa Azul

Paula Pinto e Silva - antropóloga, autora de Feijão, farinha e carne-seca

Paulo Pasta - pintor e professor, autor de A educação pela pintura

Rodrigo Leão de Moura - professor de biologia marinha na UFRJ

Zé Ferreira – agricultor paratiense, especialista em práticas agroecológicas

 

publicado por o editor às 00:07
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