Segunda-feira, 1 de Julho de 2013

Gilberto Freyre , o “anarquista construtivo” enfrenta a “escola sociológica paulista”

 




     Este seria um belo título para um filme “cult” dos idos anos 70 . Mas na verdade esse embate foi muito mais elitista e futriqueiro que o seu  título popular. Como sabemos , quem se auto-intitulou de “anarquista construtivo” foi Freyre, quando se via questionado por ser o que, os paulistas por exemplo, chamavam de “conservadorismo empedernido”. Mas, se hoje, os nossos cientistas sociais podem ostensivamente e com legitimidade , pesquisar sobre a questão da mulher , minorias sexuais e o universo doméstico é graças a sua obra polêmica  Casa Grande & Senzala .
    As críticas ao seu trabalho muitas vezes se atinham a sua forte preocupação com a sexualidade ou ainda faziam recriminações à sua visão de “uma sociedade  em que predominam mecanismos de acomodação e conciliação. Isso era demais para sociólogos da Universidade de São Paulo (USP) , que ainda  o consideravam um colecionador de objetividades ( ou de obviedades)” .
    Passaram-se os anos e pouco a pouco, a importância de sua obra , inegável, vai sendo resgatada . Volta a ser citado e muitos até fazem até um verdadeiro “ato de contrição”. A jornalista Rose Nogueira (criadora do extinto e revolucionário programa TV Mulher)  ressalta, por exemplo, que na obra de Gilberto Freyre fica muito bem explicitada a função da mulher no trato das tarefas diárias em uma fazenda . Que ela é quem verdadeiramente era “comandante-em-chefe” dos feitores. Que essa visão da mulher no comando dos negócios acaba por ser incorporado nas obras ficcionais e aparece emblemáticamente nas cenas da novela televisiva Terra Nostra . Com certeza, sem Gilberto Freyre e a inspiração de seu trabalho para outros pesquisadores, jamais teríamos essa visão  e sim, a outra oficial, de uma sociedade patriarcal e patronal.
     No prefácio de sua terceira edição de casa Grande & Senzala, Gilberto Freyre diz receber com naturalidade as críticas “sem se achar, entretanto, obrigado a modificar os seus pontos de vista”. Reparos como o do Professor Coornaert, da Sorbonne, sobre o que considera preocupação excessiva com o elemento sexual na interpretação de alguns aspectos característicos da formação social do Brasil. Críticas estas que obtiam ressonância nos “sorbonardes” da dita esquerda sociológica paulista.
     Em entrevista concedida em 1985 a Benjamim e Cilene Areias, Freyre fala dessa sua relação com a intelectualidade esquerdista. “Eu sempre fiz restrições a certos usos do marxismo, mas não se pode apresentar nenhuma atitude antimarxista sectária de minha parte. E fiz um grande convertido: o inteligentíssimo Oswald de Andrade. Num de seus artigos no Correio da Manhã ele tratou de sua conversão ao ‘pós-marxismo de Gilberto Freyre’, dizendo que não rejeitara o que aprendera de marxismo , mas achava que isso não satisfazia mais: Marx foi homem de uma época européia, e nós estávamos noutra  época. Ora , quem é pós-marxista não é antimarxista.”
Em outra entrevista, anterior a essa (1980) a Ricardo Noblat, então chefe de sucursal da Revista Veja e que foi publicada pela revista Playboy, experiente o jornalista tentava fazer Gilberto Freyre falar sobre seus críticos , que teimavam em não reconhecer a sua importância internacional, esquivo acaba por falar nas desvantagens do sucesso- “ A desvantagem é que você fica muito exposto ao chato. Essa é a desvantagem principal, porque o chato existe e não é só brasileiro: o chato é internacional...E você tem de se defender sem magoar aquilo que o chato bem-intencionado representa. Porque o chato por vezes é bem-intencionado . Ele não é chato porque quer ser : ele é chato porque é chato.” E citava como chato o amigo Oscar Niemeyer –“que é um arquiteto genial, é muito ignorante. É difícil você manter uma conversa interessante com ele.(...)há pessoas que são muitíssimo mais interessantes escrevendo do que falando”. Com tiradas como essa Gilberto Freyre atraia sobre sí não simplesmente as críticas acadêmicas , mas também as rusgas primárias e a ira da “inteligência da esquerda”.
    E fustigando a intelectualidade paulista também com artigos contra o modernismo. “...no total, a Semana de Arte Moderna representou uma introdução arbitrária , no Brasil, de modernices européias, sobretudo francesas. Sem dúvida, cultura brasileira em geral e as artes brasileiras em particular, precisavam na época de serem modernizadas, revigoradas – mas levando-se em conta a realidade regional brasileira, suas tradições características às quais se poderia adaptar inovações européias. Isso não se fez em São Paulo, mas sim no Recife, num movimento menos badalado, como se diria hoje, do que a Semana de Arte Moderna de São Paulo. Esse movimento foi regionalista, tradicionalista e, a seu modo , modernista, ao qual estiveram ligados artistas como Vicente do Rego Monteiro, um renovador da pintura e da escultura.”
    Gilberto Freyre começou a ser conhecido em São Paulo por um outro intelectual paulista que, coincidentemente, criticou a Semana de Arte Moderna, Monteiro Lobato que  divulgava os artigos de Freyre  na Revista do Brasil .
     Mas a briga com a  “escola sociológica paulista” estava longe de acabar, seu apoio à ditadura que instalou-se após o Golpe de 64 , levou-o a praticamente ser expurgado dos currículos da Universidade de São Paulo . Mais tarde , Gilberto Freyre reconheceu que não era antimilitarista mas, “devo dizer que nunca me enganei com esse surto militar iniciado em 1964, o que me levou a recusar convites do General Castello Branco para ocupar um Ministério ou Embaixada em Paris. Os militares se deram aos tecnocratas, que comprometeram os valores éticos do Brasil e nada fizeram para diminuir o desprezo pelo nordeste, que já se manifestava então no Centro-Sul. Você não pode definir o Ministro tecnocrata por excelência, o Delfim Netto, senão como um quase patológico antinordestino.” Como vemos sobrou até para a direita paulista.
     Porém, o mais interessante vem ainda a acontecer, como todo roteiro de filme “cult” , vilões e heróis acabam por se confundir. Na correspondência pessoal de Gilberto Freyre encontramos uma carta datada de  7 de Abril de 1961 , em papel timbrado da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo , assinada pelo Professor Florestan Fernandes. Agradecia  a hospitalidade recebida por ocasião de sua passagem por Recife. Afirmava ter levado as melhores impressões do trabalho que estava sendo realizado pelas duas instituições que Freyre dirigia e ia além...”Agora o principal objetivo desta carta: os dois primeiros doutoramentos da cadeira de Sociologia I, a realizar-se em breve, de candidatos que trabalharam sob  minha orientação, devem ocorrer dentro deste semestre. Os  candidatos são seus conhecidos e admiradores : Fernando Henrique Cardoso e Octavio Ianni. Os trabalham versam assunto de sua principal área de estudos – a sociedade senhorial brasileira, só que agora vista do ângulo das relações entre o senhor e o escravo no sul do Brasil (Porto Alegre e Curitiba). Queríamos prestar-lhe uma homenagem, que constitui ao mesmo tempo uma honra para nós, pedindo-lhe para participar da banca examinadora”.
Pois bem,  o então futuro “príncipe dos sociólogos” e “Presidente do Brasil” poderia ser examinado por Gilberto Freyre... Na mesma entrevista  concedida a Ricardo Noblat ,  Gilberto Freyre fala sobre esses três personagens – “Dos sociólogos paulistas, o que eu considero a figura máxima é Fernando Henrique Cardoso, que é até político militante marxista, mas há pouco, num artigo, mostrou-se simpático às minhas atitudes, embora divergindo de mim. Outro marxista, mas este do Rio, o antropólogo Darci Ribeiro, um grande antropólogo, escreveu uma introdução para a edição venezuelana de meu livro Casa Grande & Senzala , que é talvez o que de melhor já se escreveu a respeito do ponto de vista antropológico e sociológico. Agora, ambos são marxistas eminentes. Mas quando o marxista é um Octávio Ianni, que não é intelectualmente honesto, a meu ver, e um outro que já nem me lembro o nome...”Noblat se apressa em lembrar.....”Florestan Fernandes?” E Gilberto Freyre continua- “Florestan. Que não é desonesto mas que é um fanatizado pelo marxismo. Esses desonestos ou esses fanáticos superiores – eu respeito o Florestan Fernandes, uma cultura real, um talento autêntico, mas fanatizado – enfim , eu não os considero como representantes do que há de melhor na sociologia e na antropologia paulista . Mas, são os mais ruidosos e os mais badalados por nossa querida imprensa”.
     Quando Fernando Henrique Cardoso ainda era Senador pelo PMDB-SP , e sabe-se lá se acalentava o sonho de ser Presidente reeleito, publicou um artigo no Jornal O Globo de 26 de julho de 1987 republicado dez anos depois no Diário de Pernambuco. Nele era o sociólogo Fernando Henrique que falava e chamava Gilberto Freyre de “um verdadeiro criador”. Talvez quisesse dizer...um verdadeiro “criador de casos”, mas discorria que “há alguns anos –em 1973- escrevi um artigo sobre ‘Casa Grande & Senzala’. Foi um ato de contrição. Eu lera , obviamente, e muitas vezes, não só ‘Casa Grande & Senzala’, mas alguns outros livros de Gilberto Freyre. Membro da ‘escola sociológica paulista’ que sou e interessado nas questões raciais e na escravidão ( minha tese de mestrado, em co-autoria com Octavio Ianni, e a tese de doutorado foi sobre o ‘Capitalismo e escravidão no Brasil Meridional’) , li Gilberto Freyre quando estudante e na época das teses universitárias com o olhar severo do jovem que buscava o rigor científico e tinha em Florestan Fernandes o mâitre a penser.”
     E continua o sociólogo “Pois bem, na releitura crítica percebi o pecado (venial , por certo) que cometera. Gilberto Freyre não podia ter sido lido como um colecionador de objetividade (ou de obviedades). Nem do ângulo científico nem do ângulo político”. (...) “Rótulos não se sustentam diante do verdadeiro criador, Freyre me capturou. Não por sua ‘ciência’, mas por ter sido capaz de propor um mito-fundador.” Casa Grande & Senzala” e o próprio Gilberto Freyre são parte constitutivas do Brasil : falsos ou verdadeiros, a obra e o criador, pela força macunaímica que têm, expressam o que nós somos”.
    “Ás vezes não gostamos: é a vaidade transbordante, a pequena mentira, a perspectiva ilusória. Mas não apenas em Gilberto Freyre : tudo isso está contido na nossa cultura. As vezes nos deliciamos: são os quitutes, é o sexo obsessivo, é o popularesco, é o povo próximo de nós. Mas também  neste caso, é mito.”
    “Morto Gilberto Freyre, continua vivo o mito que ele produziu”.

     Ainda bem. Pena que outros mitos não sejam tão geniais.    
 
                                  Eduardo Cruz é jornalista  paulistano

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Quarta-feira, 28 de Novembro de 2012

FIM DE JOGO, 1945 de David Stafford

 

A 2a Grande Guerra



O QUE UMA GUERRA TEM DE GRANDE? Pois bem , número de vítimas, número de países envolvidos no conflito, montante do prejuízo. Ou seriam os avanços tecnológicos, as mudanças geopolíticas, o butim. Na guerra, por mais grandioso que seja o número, o valor exponencial do desumano deve falar mais alto. A segunda guerra mundial infelizmente não deixou lição nenhuma e sim décadas de um mundo dividido entre teorias econômicas. E o povo? A este coube e cabe contar e enterrar seus mortos.

Entre os anos de 1939 e 1945, o mundo viveu o maior e mais sangrento confronto da história da humanidade - a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) que opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade. As principais potências aliadas eram a China, a França, a Grã-Bretanha, a União Soviética e os Estados Unidos.

O Brasil se integrou aos Aliados em agosto de 1942. A Alemanha, a Itália e o Japão, por sua vez, perfaziam as forças do Eixo. Muitos outros países participaram na guerra, quer porque se juntaram a um dos lados, quer porque foram invadidos, ou por haver participado de conflitos laterais. Em algumas nações (como a França e a Jugoslávia), a Segunda Guerra Mundial provocou confrontos internos entre partidários de lados distintos.

A Primeira Guerra Mundial - "feita para pôr fim a todas as guerras" - transformou-se no ponto de partida de novos e irreconciliáveis conflitos, pois o Tratado de Versalhes (1919) disseminou um forte sentimento nacionalista, que culminou no totalitarismo nazi-fascista. As contradições se aguçaram com os efeitos da Grande Depressão. Além disso, a política de apaziguamento, adotada por alguns líderes políticos do período entre guerras e que se caracterizou por concessões para evitar um confronto, não conseguiu garantir a paz internacional. Sua atuação assemelhou-se à da Liga das Nações: um órgão frágil, sem reconhecimento e peso, que deveria cuidar da paz mundial, mas que fracassou totalmente.


O líder alemão de origem austríaca Adolf Hitler, Führer do Terceiro Reich, pretendia criar uma "nova ordem" na Europa, baseada nos princípios nazistas que defendiam a superioridade germânica, na exclusão — e supostamente eliminação física incluída — de algumas minorias étnicas e religiosas, como os judeus e os ciganos, bem como deficientes físicos e homossexuais; na supressão das liberdades e dos direitos individuais e na perseguição de ideologias liberais, socialistas e comunistas.

O marco inicial ocorreu no ano de 1939, quando o exército alemão invadiu a Polônia. De imediato, a França e a Inglaterra declararam guerra à Alemanha. De acordo com a política de alianças militares existentes na época, formaram-se dois grupos : Aliados ( liderados por Inglaterra, URSS, França e Estados Unidos ) e Eixo ( Alemanha, Itália e Japão ).

A assinatura do tratado de paz no final da Primeira Guerra Mundial deixou a Alemanha humilhada e despojada de suas possessões. Perdeu seus territórios ultramarinos e, na Europa, a Alsácia-Lorena e a Prússia Oriental. Os exércitos aliados ocuparam a região do Reno, limitaram rigorosamente o tamanho do Exército e da Marinha alemães, e o seu país foi obrigado a pagar indenizações pela Primeira Guerra Mundial que logo provocaram o colapso de sua moeda e causaram desemprego em massa.

Assim, foi numa Alemanha envenenada pelo descontentamento que Adolf Hitler ergueu a voz pela primeira vez. Apelando para a convicção do povo alemão de que tinham sido brutalmente oprimidos pelos vencedores da guerra, logo conseguiu uma larga audiência. Falava de grandeza nacional e da superioridade racial nórdica, denunciava judeus e comunistas como aqueles que haviam apunhalado a Alemanha pelas costas e levado o país à derrota, e por meio de um programa intensivo de propaganda criou o Partido Nacional-Socialista, que em 1932 tinha 230 lugares no Parlamento alemão e cerca de 13 milhões de adeptos. Depois da morte do Presidente Hindenburg, em 1934, o poder de Hitler tornou-se absoluto. No verão de 1934, eliminou implacavelmente os rivais e, desprezando a regra de lei, estabeleceu um regime totalitário.


Em seguida deu inicio a um programa de rearmamento, em contravenção ao Tratado de Versalhes, mas sem ser impedido pelos demais signatários, e no começo de 1936 já estava confiante o bastante para enviar tropas alemães para reocupar a região do Reno. Mais uma vez os Aliados não fizeram nenhuma tentativa para detê-lo, e a operação foi bem sucedida. Mais tarde, no mesmo ano, ele e seu aliado italiano fascista Benito Mussolini enviaram auxílio a Franco na Guerra Civil Espanhola e assinaram um pacto unindo-os no Eixo Berlim-Roma.

A preocupação primária de Hitler durante esse período foi com a necessidade alemã de Lebensraum, ou seja, espaço vital. Se o país devia passar de nação de segunda categoria para primeira potência mundial, necessitava de espaço para se expandir, e se precisava comportar uma população em rápido crescimento e exigindo prosperidade, necessitava de terras para cultivo e matérias-primas para energia e indústria.

Começou olhando na direção da Áustria, que já possuía um forte movimento nazista, mas cujo chanceler estava ansioso por conservá-la como nação independente. Os exércitos de Hitler avançaram assim mesmo e, em 1938, entraram em Viena, sem encontrar oposição. Hitler tivera êxito pela combinação de uma diplomacia de força e um hábil desenvolvimento de sua máquina de propaganda.

A Checoslováquia seria a próxima vítima. A região fronteiriça, conhecida como Sudetos, tinha uma população alemã que se sentia excessivamente discriminada tanto pelos tchecos quanto pelos eslovacos. A região era rica em recursos minerais, tinha um grande exército, e ostentava fábricas de equipamento bélico Skoda. Incitando o descontentamento da população germânica, Hitler foi capaz de fomentar a agitação na Checoslováquia, que levou a um confronto armado na fronteira. Nessa altura, o primeiro-ministro britânico, Neville Chamberlain, representando os defensores da Checoslováquia - Inglaterra, França e Rússia -, foi à Alemanha acalmar Hitler. O resultado de uma série de reuniões foi que, a menos que os Sudetos fossem anexados à Alemanha, Hitler começaria uma guerra; mas se suas reivindicações territoriais na Checoslováquia fossem atendidas, não faria reivindicações posteriores no resto da Europa. A França e a Inglaterra concordaram - apesar de suas promessas de proteger a Checoslováquia -, e Hitler, quebrando também a sua promessa, mais tarde invadiu a Checoslováquia inteira. Considerou que a Inglaterra não estaria preparada para lutar por aquele país, e que a França não ia querer lutar sozinha - e estava certo; mas na vez seguinte, quando invadiu a Polônia, elas declararam guerra.

Como a história provaria mais tarde, a declaração veio com excesso de atraso. As vacilações das potências ocidentais haviam permitido que Hitler alcançasse uma força armada e uma posição na Europa, cujo desalojamento levaria seis anos de carnificina.

A Segunda Guerra Mundial, por sua amplitude e duração, contou com inúmeras campanhas e batalhas importantes. Neste texto, iremos nos reportar apenas àquelas que tiveram influência decisiva na evolução do conflito.
Empregando de forma combinada todos os elementos militares de que dispunham (aviação de assalto, aviação de bombardeio, blindados, artilharia e infantaria), os alemães criaram uma tática de combate denominada Blitzkrieg (Guerra-Relâmpago), de efeito esmagador. Ela lhes permitiu dominar rapidamente a Polônia e, em 1940, praticamente toda a Europa Ocidental – inclusive a França, que foi obrigada a se render. Mas a falta de recursos navais impediu Hitler de invadir a Grã-Bretanha e o levou a atacar a URSS. Os alemães avançaram profundamente no território soviético, até serem finalmente detidos na Batalha de Stalingrado (nov. 42/fev. 43). O Japão, envolvido contra a China desde 1937, atacou os EUA em dezembro de 1941, bombardeando a base naval de Pearl Harbor, no Havaí. Os japoneses conquistaram todo o Sudeste Asiático e o Pacífico Central, chegando às fronteiras da Índia e próximo da Austrália. Todavia, derrotados pelos norte-americanos na batalha naval de Midway (jun. 42), passaram a lutar defensivamente, de forma obstinada e até mesmo desesperada, tendo em vista que se tornou habitual lutarem até à morte, inclusive através de ataques suicidas.

A Itália foi invadida pelos Aliados em 1943. Mussolini, refugiado no norte do país sob a proteção dos alemães, foi capturado por guerrilheiros comunistas italianos e assassinado em abril de 1945. Hitler suicidou-se três dias mais tarde, quando os soviéticos se encontravam a três quarteirões de seu abrigo subterrâneo, em Berlim. A Alemanha capitulou pouco depois, em 8 de maio. Antes, em junho de 1944, ocorrera o célebre Dia D, quando tropas anglo-americano-canadenses desembarcaram na Normandia – região da França, então ocupada pelos alemães.

O Japão somente se rendeu em 15 de agosto de 1945, quando o imperador Hirohito anunciou pessoalmente, pelo rádio, a capitulação do país. Essa decisão foi conseqüência dos devastadores efeitos produzidos pelo bombardeio atômico das cidades de Hiroshima e Nagasaki, ocorridos respectivamente em 6 e 9 daquele mês.

O emprego de bombas atômicas contra o Japão, a fim de forçá-lo a cessar a luta, foi ordenado pelo novo presidente dos EUA, Truman (o presidente Franklin Roosevelt falecera em abril de 1945). Atualmente, os historiadores tendem a considerar que a ação norte-americana foi desnecessária, já que a capacidade de resistência dos japoneses estava em seu limite. Assim sendo, os bombardeios atômicos (com cerca de 200 mil vítimas fatais, sem considerar as seqüelas da radioatividade) teriam sido, fundamentalmente, um meio de intimidar a URSS – já no contexto da futura Guerra Fria.

Este importante e triste conflito terminou somente no ano de 1945 com a rendição da Alemanha e Itália. O Japão, último país a assinar o tratado de rendição, ainda sofreu um forte ataque dos Estados Unidos, que despejou bombas atômicas sobre as cidades de Hiroshima e Nagazaki. Uma ação desnecessária que provocou a morte de milhares de cidadãos japoneses inocentes, deixando um rastro de destruição nestas cidades.Os prejuízos foram enormes, principalmente para os países derrotados. Foram milhões de mortos e feridos, cidades destruídas, indústrias e zonas rurais arrasadas e dívidas incalculáveis. O racismo esteve presente e deixou uma ferida grave, principalmente na Alemanha, onde os nazistas mandaram para campos de concentração e mataram aproximadamente seis milhões de judeus.

Com o final do conflito, em 1945, foi criada a ONU ( Organização das Nações Unidas ), cujo objetivo principal seria a manutenção da paz entre as nações. Inicia-se também um período conhecido como Guerra Fria, colocando agora, em lados opostos, Estados Unidos e União Soviética. Uma disputa geopolítica entre o capitalismo norte-americano e o socialismo soviético, onde ambos países buscavam ampliar suas áreas de influência sem entrar em conflitos armados.  (E.C.)


O capítulo que faltava da Segunda Guerra Mundial

FIM DE JOGO, 1945

de David Stafford


Tradução: Joel Macedo



Formato: 16 x 23

704 páginas


O LIVRO

Concluir a narrativa da Segunda Guerra Mundial no Dia da Vitória é deixar a história apenas parcialmente contada. A guerra não termina quando cessam as batalhas. Soldados derrotados enfrentam longos dias como prisioneiros, os feridos continuam a morrer, pais buscam obstinadamente pelos filhos desaparecidos e os vitoriosos embarcam em missões épicas para caçar líderes inimigos.

Em Fim de jogo, 1945, o historiador David Stafford preenche algumas lacunas do conhecimento sobre o fim da Segunda Guerra. Ele revela como, para muitas pessoas, 8 de maio de 1945 – o Dia da Vitória na Europa – foi apenas uma breve pausa na ação. O horror e a dificuldade continuaram por muito tempo depois que os Aliados aceitaram a rendição incondicional da Alemanha Nazista.

Para narrar em detalhes o contexto do final do conflito, o autor entrelaça as vidas de pessoas comuns com as maquinações de líderes políticos e militares. Baseando-se em diários, cartas, testemunhos pessoais, memórias e uma extensa bibliografia, ele remonta a elaborada teia de eventos que levaram à verdadeira resolução da guerra. A invasão soviética, o suicídio de Hitler e a consequente rendição por parte do Eixo são partes-chave da história, mas não eram as únicas tramas em jogo à época.

Stafford relata histórias de homens e mulheres notáveis. Entre eles, Robert Ellis, um jovem soldado americano que tenta manter a alma intacta em meio à brutalidade da batalha, lutando em território italiano; Robert Reid, um correspondente de guerra viajando com o exército do general George Patton; Reginald Roy, um soldado canadense que enfrenta bravamente a resistência nazista na costa holandesa; e Francesca Wilson, que trabalha na ajuda humanitária e tenta desesperadamente mitigar o sofrimento trazido pela guerra.

Aclamado pela crítica, Fim de jogo, 1945 reconstrói os meses turbulentos que moldaram o mundo moderno. Mais do que os principais eventos que levaram ao fim do maior conflito humano já ocorrido – como as mortes de Hitler e Mussolini e a libertação dos prisioneiros dos campos de Buchenwald e Dachau –, o livro oferece um panorama pouco conhecido de homens e mulheres comuns, da Europa em meados dos anos 40 e da derrota do fascismo.
 


A  CRITICA

“Fascinante... Tenta colocar um rosto humano na desconcertante escala de morte e devastação. David Stafford faz isso de forma extraordinária.” – The Times

“Stafford reuniu uma galeria extraordinária de histórias humanas – heroicas, trágicas, infames, comoventes.” – Daily Mail

O AUTOR

David Stafford é historiador e ex-diplomata que tem escrito extensivamente sobre a inteligência, espionagem, Churchill e da Segunda Guerra Mundial. O ex-diretor do projeto no Centro para o Estudo das duas guerras mundiais, na Universidade de Edimburgo, ele  é um membro honorário da Universidade e Professor Adjunto da Universidade de Victoria, em British Columbia, onde ele e sua esposa vivem agora .

Frequentemente atuou como consultor na TV e  na rádio, escreveu documentários de rádio para a Canadian Broadcasting Corporation e  BBC, e seu livro mais recente, Dez dias para o dia D , formaram a base para um docudrama em duas partes do  Channel Four . Atuando é consultor histórico em um documentário de TV que está sendo feita por ORTV de Londres baseado em seu livro, Spies Beneath Berlin.
É crítico literário regular, aparecendo no the Times (London), BBC History Magazine, The Spectator, The Times Literary Supplement, The New York Times,o Times Herald Tribune(Paris), e Saturday Night e o Globe and Mail (Toronto).

David Stafford nasceu em Newcastle-upon-Tyne, tem titulos da Universidade de Cambridge e da Universidade de Londres (London School of Economics and Political Science), e quando ele não está escrevendo livros é um ávido leitor de ficção e um devotado fan das óperas de Mozart.

Em Abril de 2005 foi nomeado pelo primeiro-ministro para escrever a história oficial do SOE na Itália (Parte II, 1943-1945), que foi publicado pelo Bodley Head em março 2011.

LEIA UM TRECHO DO LIVRO EM PDF

 


UM LANÇAMENTO
publicado por o editor às 20:46
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Sexta-feira, 25 de Maio de 2012

ensaio, krishna, misticos e alternativos

Lapidando um Diamante



- Iswara Das
Como podemos desvendar o ser de luz que existe em nós?
Lamentações, bloqueios, doenças e mal estar, apesar de muitas vezes presentes em nossa vida, não nos fazem parte. Existem porque nos identificamos com o irreal (maya) e nos deixamos levar pelo negativismo. E o que somos, então, se esse lado ruim da vida não existe?
leia mais em
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Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2012

São Paulo de Piratininga , capital dos Bandeirantes

 








POR EDUARDO CRUZ

De um certo modo ficou difícil contar alguma novidade acerca depois das comemorações dos 500 anos de Brasil.
Mas a história está aí , e dependendo da idade do cidadão e do livro didático do seu tempo de escola , de Capistrano de Abreu a Borges Hermida , temos muito desses 500 anos de Brasil para rever. De 1500 a 1640 , a chamada fase litorânea temos o delicioso banquete de Dom Pero Fernandes Sardinha , bispo acepipe dos Caetés em 1556. E temos Mem de Sá que mandou exterminar aquela nação inteira só por causa do regabofe. Temos a chegada dos jesuítas de dúbia história e mais à frente expulsos de Portugal e suas colônias. Temos o fracasso das capitanias hereditárias , onde já se praticava ao que parece o nepotismo desbragado e uma guerra fiscal lá a seu modo.
Mas nada disso daria uma dimensão do surgimento do verdadeiro Brasil. Aparentemente eterna referência do expansionismo capitalista por toda a América Latina . Estamos falando da fase bandeirista que em sucesso folhetinesco foi às tevês e reapresentou ao grande público os bandeirantes e as atividades e vocações do maior centro comercial e financeiro do país que é a cidade de São Paulo.
O curioso em contar-se a história dos 500 anos através dos Bandeirantes , é encontrar no presente as mesmas mazelas do passado , pagar nossa divida histórica com os índios e apresentar alguns heróis como pouco ou nada patriotas e merecedores de CPIs históricas... “sim, porque há documentos que provam “...
Na visão clássica , “partindo do litoral, os colonos foram aos poucos incorporando o território da América portuguesa ao âmbito do Império: mundo sempre em movimento onde as hierarquias sociais se superpunham com maior flexibilidade e rapidez; onde os limites geográficos foram até meados do século XVIII, fluidos e indefinidos” , escreve Laura de Mello e Souza em Formas provisórias de existência: a vida cotidiana nos caminhos, nas fronteiras e nas fortificações. Em sua visão , em decorrência do caminho , do movimento, constituiu-se a civilização paulista. Mas que civilização era essa aparentemente cheia de organização e desorganização , rica na ação e pobre nas posses, européia na índole , mas xenófoba na expropriação . Deixemos de conjecturas e vamos aos fatos.
Os primeiros jesuítas a desembarcarem no Brasil eram liderados pelo padre Manoel da Nóbrega e vieram dar com seus costados e sua missão “de salvar os índios” em 29 de março de 1549.Vieram com o governador geral Tomé de Souza e desde logo bateram de frente com os colonos que cá estavam. Para os colonos os “negros da terra” eram mão-de-obra indispensável, barata e servil. Para os jesuítas “alminhas a serem salvas a qualquer custo” , que lhes fossem cobertas as vergonhas , que não fornicassem com os colonos e que cultivassem para eles (jesuítas) suas terras .
O Padre José de Anchieta chegou ao Brasil em 1553 , e embora considerado um “santo” por muitos, consta de seus escritos a seguinte frase – “ Para esse gênero de gente não há melhor pregação do que a espada e vara de ferro”. Conta a lenda que quando era refém dos Tamoios em Ubatuba (SP) escrevia longos poemas devocionais na areia , já que não tinha papel . A lenda persiste garantindo que era a sua forma de memoriza-los . Melhor essa explicação do que inventar um copista que diligentemente ia recuperando os textos antes da maré .

Pois bem, mas é através deles dois que temos a fundação do que veio a chamar-se São Paulo de Piratininga. Quer dizer, não é bem assim – Na história oficial consta que “a fundação de São Paulo insere-se no processo de ocupação e exploração das terras americanas pelos portugueses, a partir do século XVI. Inicialmente, os colonizadores fundaram a Vila de Santo André da Borda do Campo (1553), constantemente ameaçada pelos povos indígenas da região. Nessa época, um grupo de padres da Companhia de Jesus, da qual faziam parte José de Anchieta e Manoel da Nóbrega, escalaram a serra do mar chegando ao planalto de Piratininga onde encontraram "ares frios e temperados como os de Espanha" e "uma terra mui sadia, fresca e de boas águas". Do ponto de vista da segurança, a localização topográfica de São Paulo era perfeita: situava-se numa colina alta e plana, cercada por dois rios, o Tamanduateí e o Anhangabaú. Nesse lugar, fundaram o Colégio dos Jesuítas em 25 de janeiro de 1554, ao redor do qual iniciou-se a construção das primeiras casas de taipa que dariam origem ao povoado de São Paulo de Piratininga. Em 1560, o povoado ganhou foros de Vila e pelourinho mas a distância do litoral, o isolamento comercial e o solo inadequado ao cultivo de produtos de exportação, condenou a Vila a ocupar uma posição insignificante durante séculos na América Portuguesa.
Já para Benedito Lima de Toledo professor-titular de História da Arquitetura da FAU-USP , o núcleo de São Paulo de Piratininga ao fim do século XVI era formado por um triângulo composto em seus vértices pelo Colégio dos Jesuítas, pelo Mosteiro de São Bento e pela Igreja de São Francisco( incluindo a igreja do Carmo). O formato triangular faz crer que a cidade cresceu dentro dos muros, que foram por vezes mudados para darem vez à expansão . E porque dos muros , em um lugar tão longe da costa? Os muros de taipa de pilão era para se protegerem do índio inimigo. Aquele que aprendemos nos livros ser dócil e amigo.
O mesmo que era a única fonte de sustento das 370 famílias de Piratininga, que a partir de 1571 , graças à iniciativa do capitão-mor de São Vicente, Jerônimo Leitão , puderam empreitarem-se no negócio da captura dos “negros da terra” . Na verdade São Vicente , antes de ser fundada por Martim Afonso já era conhecida como “porto de escravos” devido ao tráfico promovido por João Ramalho , e um embuçado histórico conhecido como Bacharel de Cananéia. Dizem que era um degredado. Muito citado , mas de identidade incerta e não sabida .
Em tempo, Piratininga quer dizer peixe seco em referência ais cardumes que ficavam à lama a secar depois das águas baixarem. O triângulo era dos poucos lugares desse núcleo realmente seco , pois cercado por rios que viviam em constantes alagamentos o resultado era caótico , como os que hoje chamamos de enchente e provocam 140 km de consgestionamentos.
Mas esses , que segundo alguns autores eram piratas do sertão também viam a meter-se em rusgas . Primeiro pelos índios , depois pelo ouro. E uma resistência ferrenha em seguir as regras ditadas pelo reino português. Os reinóis , eram inimigos declarados. É curioso ler em “A Muralha” de Dinah Silveira de Queiroz , a personagem , antes frágil , Basília , comportar-se como uma vingadora da família .”O ódio a excitava, tornava-a cheia de ânimo. Agora sua família estava reduzida à Mãe Cândida e a ela própria, já que Leonel era um meio-morto, um desamparado, largado de si mesmo e de Deus, solto no mundo e esquecido de sua gente. Lembrava-se das palavras de Borba Gato: ‘Os paulistas terão contra eles inimigos de assombrar’”. Isso em um romance histórico considerado até pueril por alguns críticos .
Borba Gato também é personagem em “O retrato do rei” de Ana Miranda onde fica claro que paulistas e reinóis o respeitavam . Talvez não o façam hoje ao ver a sua horrenda estátua na estrada do bairro de Santo Amaro , antiga cidade que ajudou a fundar e que foi absorvida por São Paulo. Mas no livro a autora nos trás com cores mais fortes o início do ciclo do ouro e a incrível Guerra dos Emboabas que durou três anos . Uma história cruel de cobiça e nenhuma ideologia , digamos , bandeirista.
No Rio de Janeiro , mesmo durante a missa , no sermão o tema viria a ser o ouro. Na Igreja do Carmo “embora tivessem a expressão grave e contrita, poucos tomavam seriamente o que dizia o sermonista. Quem, entre aqueles não dedicava a vida a acumular riquezas? Viviam regaladamente, nos prazeres. Engordavam seus corações em dias de matança.” Ainda no livro , Dom Fernando explica os paulistas ...”Os paulistas são selváticos, prima. Bravos, donos de uma truculenta liberdade, consideram-se diferentes dos outros moradores do país, o que não deixa de ser verdade. São rudes por fora e gentis por dentro, o contrário do que costumamos ser. Vaidosos, matam-se por uma honra ou distinção. Descobriram o ouro nos sertões, mas não sabem retirá-los das águas...”
Se eram rudes em estilo até tinham seus porquês. Alguns historiadores contam que enquanto as capitanias do norte eram servidas com seda, Fernão Cardim nos conta que os moradores sofriam por falta de navios. Em 1585 estavam por exemplo, completamente por fora da moda e ainda usavam o algodão tinto como tecido. Também como pensar em moda quando se lê por exemplo em Anchieta que “ a quarta vila na capitania de São Vicente é e Piratininga, que está 10 a 12 léguas pelo sertão e terra a dentro. Vão lá por umas serras tão altas que dificultosamente podem subir nenhums animais e os homens sobem com trabalho e às vezes de gatinhas por não despenharem-se”. Menos que nos atuais congestionamentos de fim de semana é claro.
Mas quem deliciosamente nos conta um pouco dessa vila de 446 anos e por isso mesmo grande co-participante deste 500 anos de Brasil é Belmonte. Este magnífico contador de histórias e ilustrador chamava-se Benedito Carneiro Bastos Barreto e jornalista paulistano interessou-se por contar as estranhas histórias de Piratininga e foi o criador do personagem “Juca Pato” , hoje transformado em prêmio que até o presidente Fernando Henrique já recebeu...
Mas a grande obra desse caricaturista é sem dúvida a raridade bibliográfica “No tempo dos Bandeirantes que foi reeditado pelo governo do estado de São Paulo. Em sua apresentação Belmonte dizia que o livro não era propriamente, um livro de História, infalível e definitivo...Quanto aos historiadores, estou certo de que perdoarão o humorista curioso que, com tanta sem-cerimônia, mas com a melhor das intenções, lhes invadiu os domínios”.
E que bela invasão...como a dos índios Carijós , que obrigaram os moradores a fortificarem a vila que nascia ainda sem nome de ruas e praças que são apenas pateos e terreiros.”No alto da colina, encerrada dentro de um triângulo, está a vila”. Ficamos então sabendo que nela ruas sem nome, atalhos que serpenteiam barrancos, “que se despenham pelos alcantís, que vão ligar-se lá embaixo com os caminhos que levam ao Guaré, aos campos de Piratininga e de Santo Antônio, a Ibirapuera, Pinheiros, Ururaí, ao caminho do sertão e ao caminho do mar.”
Algumas ruas e seus nomes sobreviveram aos séculos – “Rua de Sào Bento para Sào francisco, rua que vai para a direita para Santo Antonio, rua que vai para a Nossa Senhora do Carmo, rua do Carmo, rua que vai para a matriz” . Mas a coisa podia ficar confusa quando era “na rua do meu irmão Fernão Pais, rua onde mora Pedro Furtado, na rua pública desta vila, rua que vai para o Anhamgabaú ( que era um rio , e que hoje vez por outra vira um), rua detrás da casa de Aleixo Jorge ( e dessa nem queremos saber de histórias). São Paulo também era conhecida como São Paulo do Campo e era pobre, pobreza essa só atenuada pelo ciclo do ouro.
“Mas os forasteiros afluem””, continua Belmonte e mesmo 1633, em meio à penúria chegam gentes “do litoral, de Santos e sào Vicente, e não poucos dp Sul, do Guaíra e do Paraguai, embora o façam pelo caminho proibido. E já no fim do século, a sua população sobe a quase 4000 almas”. Entre elas , muitos muambeiros.
Grande número de locais próximos tinham nomes indígenas , tudo parecia ficar muito longe. Os mais ricos além das suas propriedades mantinham uma casa na vila. “Morando tão longe assim , não é por ociosidade que os paulistas pouco aparecem na vila, principalmente quando é forçoso andar por caminhos fragosos.O rude bandeirante que , a todo momento, rompe a mata e vai parar no Paraguai, no Amazonas ou no perú, parece não
Ser amigo do meio têrmo. Ou vai muito longe ou não vai.”
Mas a verdade é que os “caminhos fragosos” dão nos nervos. E com tantos rios e riachos sujeitos a enchentes , os caminhos alagados as pontes arruinados , não há quem possa. Já aquele tempo , na Câmara os apelos às autoridades se repetem. “Apelos ao senhor procurador: ...requeeu que se fixassem quartéis para se fazer a ponte do guerepe...E a ponte que está debaixo desta vila chamada anhamgobaí...E que se concerte a ponte da tabatinguera...E a ponte do ribeiro anangabaú caminho de peratiningoa... “
Além dos apelos , há de se notar que muitos locais séculos depois conservam o problema , e que também os escribas não primavam pela padronização dos nomes .

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Domingo, 18 de Abril de 2010

O CRÂNIO SOB A PELE de P. D. James


LITERATURA POLICIAL


UM TIRO NO PEDANTISMO INTELECTUAL

"Não há nada que antes não tenha sido outra coisa, pensava Mma Ramotswe."
(personagem de Alexander McCall Smith,
a única mulher detetive particular em toda Botsuana)

Antes que alguém já saia torcendo o nariz para o tema, mais nos compensa repensar o quanto esse crime compensa. Se para alguns de nossos intelectuais os romances policiais estariam fadados a carregar eternamente o rótulo de subliteratura, para a maioria de intelectuais e escritores, tal colocação não passa de claro preconceito criado a partir de uma outra grande distorção - a de que toda a literatura que envolve crime e mistério é de baixa qualidade. A verdade é que tais intelectuais vivem de dar tiros no próprio pé, e esquecem que muitos de nossos autores clássicos produziram seus contos e romances de mistério, de inconteste qualidade e importância. São livros recheados com todos os elementos execrados pelos tão exigentes detratores. Nas tramas, o crime, os processos, as deduções e as investigações.

Não é preciso ter tanta acuidade de detetive para lembrar de Emile Zola que nos brindou com obras como "Tereza Raquim", "Germinal" e a "Besta Humana" que, certa feita, escreveu que "toda a obra de arte é um pedaço da natureza, visto através de um temperamento". Dessa forma, os elementos policialescos e os crimes em si, fazem parte de nosso dia-a-dia, uma realidade que, nem por ser trágica e incluir muitas vezes elementos repugnantes, deve ser ignorada pelo artista. Talvez seja por isso mesmo que no início do século passado, Enrico Ferri, psicólogo e criminalista, professor da Universidade de Roma e de Bruxelas, afirmou que "Besta Humana" e ainda "Crime e Castigo", de Dostoievsky eram, para a psicopatologia e para a antropologia criminal, "um meio de propaganda, mil vezes mas rápido que a observação estritamente erudita". Citando aqui Dostoievsky, lembramos que no universo da literatura russa, temos Leon Tolstoi que além de romances perfeitos como Anna Karenina e Guerra e Paz, escreveu contos de fina ironia e sátira onde a figura da lei era colocada em cheque. Basta conferir "O Custo Da Justiça".

LITERATURA POLICIAL
ONDE ENCONTRAR

Nas boas casas e livros do ramo, e mais aqui e ali e vez por outra tanta no acolá. Pode ser encontrada de diversas formas e, dificilmente, um leitor pode correr o risco de dizer que nunca leu esse tipo de livro. Segundo o escritor Ignácio de Loyola Brandão, o gênero policial pode ser encontrado até na Bíblia. Basta ler Caim e Abel. "Gosto e leio muitas histórias policiais e acho que, como todo o gênero, tem produções boas e más. Mas é um estilo extremamente fascinante e muito importante na formação de um escritor, pois com os bons policiais você aprende muito em relação à arte da narrativa. Na verdade, o que existe é um grande preconceito por parte dos falsos intelectuais que se postam contra a literatura policial. Meus autores prediletos no gênero são George Simenon, Raymond Chandler, Patrícia Highsmith e Agatha Christie”.

A Ediouro lançou um “catatau” especialíssimo organizado por Flávio Moreira da Costa - "Os 100 melhores contos de crime e mistério". Jornalista desde os 15 anos, o gaúcho Flávio Moreira da Costa foi crítico de cinema, música e literatura. Redator, editor e tradutor, tem hoje cerca de 30 livros publicados. Segundo ele , "o homem é o único animal que mata seu semelhante por razões que não sejam sua própria sobrevivência". Temos aqui uma ficção que beira a realidade, tratando de um assunto por demais comentado em nossos dias, sobretudo devido à crescente globalização do crime. Os textos registram uma faceta da humanidade sempre presente e cada vez mais visível e ameaçadora. A antologia, organizada com brilhantismo, pode ser considerada a mais completa da literatura de crime e mistério até hoje publicada no país. A primeira história da coletânea é do Antigo Testamento - A história de Sansão, depois passamos por Sófocles - Édipo Rei. Mil e uma noites, Perrault, Voltaire, Honoré de Balzac, Robert Louis Stevenson, Apollinaire, Guy de Maupassant, Kafka, Dickens, Edgard Allan Poe...

UM REINADO DE RAINHAS E DETETIVES

Agatha Christie é certamente a mais conhecida escritora de romances policiais. É chamada de a Rainha do Crime, mas o que na verdade intriga a muitos é como uma mulher, saída da era vitoriana,conseguiu criar tramas e enredos tão verossímeis, e ao mesmo tempo, construir histórias passíveis de serem consideradas crimes perfeitos. Com seus mais de 80 livros publicados, incluindo romances, contos, peças e até obras a quatro mãos, ela é uma das autoras mais traduzidas em todo o mundo e o maior sucesso do teatro inglês depois de Shakespeare. Durante um certo período de sua carreira, tentando livrar-se do rótulo de escritora de livros policiais e indo de encontro aos seus críticos ferrenhos que a acusavam de reles comerciante, Agatha escreveu uma série de romances utilizando-se do pseudônimo literário de Mary Westmacott. Mas, mesmo assim, não conseguiu evitar de permear essas histórias com certa dose de suspense. Por certo não figuram na obra Hercule Poirot ou Miss Marple, seus mais famosos detetives. Mas, com certeza, foi Dame Agatha que abriu as portas para várias outras escritoras de mistério.

Mulheres como P. D. James, na verdade Phyllis Doroty James, que nasceu em Oxford, Inglaterra, em 1920. Trabalhou no Serviço Nacional de Saúde, no Serviço de Ciência Forense e no Departamento de Lei Criminal, onde aprendeu "coisas úteis" para seus livros. Iniciou sua carreira literária aos 42 anos, com a publicação de "Over her face", seguido por mais treze romances que consolidaram sua reputação como uma das principais escritoras de livros policiais da atualidade. Em 1991, recebeu da rainha Elizabeth o título de Baronesa James of Holland Park. Seu mais importante livro, que foi relançado no Brasil pela Cia das Letras é "A morte de um perito".










UM LANÇAMENTO

O CRÂNIO SOB A PELE
de P. D. James


Páginas
440

Cordelia Gray, a jovem e inexperiente detetive que herda uma agência de investigação após o suicídio do chefe, apareceu pela primeira vez na obra de P. D. James em 1972, no romance Trabalho impróprio para uma mulher. Dez anos depois, a autora voltou à personagem neste eletrizante O crânio sob a pele.

O primeiro caso de Cordelia à frente da Agência Pryde parece simples. Uma atriz de teatro vem sendo ameaçada de morte, e a detetive particular precisa descobrir quem está por trás das cartas anônimas. A investigação acontecerá na ilha de Courcy, ao largo da costa inglesa de Dorset, num castelo medieval que servirá de palco para a montagem de A condessa de Malfi, de John Webster. Clarissa Lisle, mesmo sob ameaça de morte, vai protagonizar o drama, e Cordelia viajará com ela em missão tripla: acompanhante, investigadora e guarda-costas.

Em pouco tempo, no entanto, a missão se complica. Um assassinato brutal acontece nos domínios do castelo, e a pretensa arma do crime, extraviada da extensa coleção de arte mortuária que decora as paredes do lugar, é um braço de bebê reproduzido em mármore. O pequeno grupo ali reunido, inclusive Cordelia, se torna suspeito do crime.

Ao mesmo tempo em que tem de responder ao inquérito da polícia, que logo chega à ilha para dar início à investigação, Cordelia segue por conta própria as pistas que levam à identidade e às reais motivações do assassino. Entre os convivas do fatídico fim de semana - um crítico teatral à beira da morte, uma prima distante e invejosa, uma governanta amargurada, um adolescente rejeitado, um marido indiferente, e um dândi fissurado em objetos fúnebres -, motivos para o crime não faltam.

Conforme as pistas vão sendo apresentadas, a trama se fecha cada vez mais sobre o tema da morte, que se mostra até mesmo anterior ao crime. Se de um lado há o medo generalizado de morrer - bem representado pela citação de T. S. Eliot que dá título ao livro: "Webster, de tão possuído pela morte/ Percebia o crânio sob a pele" -, há também o ponto de vista inverso, representado pelo fascínio de um colecionador de relíquias mortuárias. Nessa atmosfera, seria fácil concluir que "todos são capazes de matar", mas Cordelia se aferra às evidências físicas do crime para encontrar o assassino.

Como os grandes clássicos de P. D. James, O crânio sob a pele exibe uma trama de complexidade excepcional, num gênero muitas vezes marcado pela divisão simplista entre bem e mal.

A CRÍTICA
"Ricamente intricado e literário, O crânio sob a pele mostra P. D. James no auge de seu poder de contar histórias." - San Francisco Chronicle

UM LANÇAMENTO





Mas outras mulheres passaram a dominar a cena. Mulheres fortes e decididas como Patrícia Highsmith, que com o seu talentoso Mr. Ripley subverteu a idéia do criminoso ser sempre capturado. Ou ainda escritoras cuidadosas como Mary Higgins Clark (publicada pela Record) com tramas urdidas como um bom tricot. E ainda mulheres exóticas, de lugares distantes como a Nova Zelândia, a senhora Ngaio Marsh. A lista é intensa e imensa - Sara Paretsky, (Ed.Rocco), Ruth Rendell (Ed.Rocco), Lyza Cody,l Lillian O’Donnell, Patrícia Cornwell (Cia das Letras), ou ainda Antonia Fraser que além de ser autora de romances policiais é historiadora e muitas outras mais.
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Domingo, 10 de Janeiro de 2010

2012 e as Centurias de Nostradamus





Quando o mundo vai acabar? Segundo os antigos maias, no dia 22 de dezembro de 2012. Vai daí que as Profecias de Nostradamus ficaram neste 2010 para segundo plano. Mas isso será um apocalipse ou um novo começo?

Melhor dizendo, o que as Centúrias diziam não é para se levar a sério? Como levar a sério um povo que não conseguiu resistir ao próprio tempo e é uma civilização extinta.

Devemos acreditar de que, porque não continuaram construir seu calendário, decretavam assim o fim de tudo?
E quem garante que aqueles símbolos foram corretamente interpretados e que os cálculos dos ciclos Maias não foi um mero exercício matemático.


Por minha tradição Marques da Cruz retorno às centúrias e outros presságios. Leia este ensaio enquanto uma catástrofe ou um novo despertar só nos espreitam,
e a medida que 2012 se aproxima rapidamente vamos ver no que isso tudo pode dar!(E.C.)

LEIA EM






AS CENTÚRIAS E OS PAPAS

Profecias e Políticas


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Domingo, 1 de Fevereiro de 2009

Ensaio GUERRA III

O QUE UMA GUERRA TEM DE GRANDE? Pois bem , número de vítimas, número de países envolvidos no conflito, montante do prejuízo. Ou seriam os avanços tecnológicos, as mudanças geopolíticas, o butim. Na guerra, por mais grandioso que seja o número, o valor exponencial do desumano deve falar mais alto. A segunda guerra mundial infelizmente não deixou lição nenhuma e sim décadas de um mundo dividido entre teorias econômicas. E o povo? A este coube e cabe contar e enterrar seus mortos.

 

 

 

Entre os anos de 1939 e 1945, o mundo viveu o maior e mais sangrento confronto da história da humanidade - a Segunda Guerra Mundial (1939–1945) que opôs os Aliados às Potências do Eixo, tendo sido o conflito que causou mais vítimas em toda a história da Humanidade. As principais potências aliadas eram a China, a França, a Grã-Bretanha, a União Soviética e os Estados Unidos. SAIBA MAIS



Os Livros recomendados da





 
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Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

AINDA A GUERRA - Hamas aceita cessar-fogo e Israel dá início à retirada - Segunda parte do Ensaio

Em véspera da tomada de posse de Barack Obama como Presidente dos EUA, Israel e o movimento integrista palestiniano decretam o fim das hostilidades. Pelo caminho ficam mais de 1300 mortos e um território destruído. O Egipto prepara nova cimeira para discutir a questão humanitária A dois dias da tomada de posse de Barack Obama como presidente dos Estados Unidos, israelitas e palestinianos parecem dispostos a dar uma oportunidade à paz: 12 horas após o início do cessar-fogo decretado unilateralmente por Israel - alegadamente por ter conseguido desarmar o movimento integrista - o Hamas anunciava aceitar também o fim das hostilidades e dava uma semana ao Governo de Ehud Olmert para retirar as suas forças da Faixa de Gaza. O que Israel já começou a fazer.

Silenciadas as armas, parte dos militares israelitas começou a deixar pontos estratégicos na Faixa de Gaza, onde os palestinianos que conseguiram fugir das zonas de conflito mais intenso faziam, por seu turno, o caminho de regresso a suas casas ou às ruínas em que elas se transformaram.

Ao mesmo tempo que as populações da Faixa de Gaza tentam regressar a casa, vão sendo encontrados mais corpos sob os escombros, aumentando assim o número de vítimas de um conflito que durou 22 dias.

Israel chega ao fim desta operação militar com um balanço de 13 vítimas, três das quais eram civis. Do lado palestiniano, o número de mortos atingiu já a fasquia dos 1300, um terço dos quais são crianças, e 5300 feridos. A disparidade do número explica-se, por um lado, pela diferença de armamento em presença e, por outro lado, pelo palco dos ataques ser uma área densamente povoada - a mais povoada do globo -, onde 53% são crianças.

Entretanto, as duas partes reafirmaram a sua respectiva vitória, ten- tando salvar a face perante o seu próprio povo. Mas, uma vitória real só será alcançada quando a paz se instalar de facto entre os dois povos, como sublinharam ontem em Sharm el-Sheikh vários responsáveis europeus, entre eles o Presidente francês Nicolas Sarkozy.

Olmert garante que o exército israelita conseguiu destruir a capacidade militar do grupo integrista, - embora este ainda tenha lançado ontem cerca de 20 rockets contra o sul de Israel. Por seu turno, o Hamas garantiu que "Deus lhe deu uma grande vitória", afirmações que só o tempo poderá esclarecer. Em Israel, esse esclarecimento acontecerá em Fevereiro quando o eleitorado for às urnas para escolher os seus representantes ao Knesset (Parlamento).

Entretanto, vários países europeus anunciaram a sua disponibilidade para enviar efectivos que integrem uma força internacional de interposição no sul da Faixa de Gaza para evitar um eventual contrabando de armas para o Hamas.

A ARTE DA GUERRA OU UMA GUERRA SEM ARTE (2a parte)


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Sábado, 10 de Janeiro de 2009

O romance de Tribunal

Diferente do romance de mistério ou dos trillers policiais, o romance de tribunal reveste-se de cargas psicológicas que em muito diferem das tramas a descobrir, tem certa densidade que nos remete à reflexão do que é justiça e de como ela é aplicada. Na verdade o apelo à Justiça e a invocação de um Direito Justo tem marcado a história do Homem desde a Criação e povoou as literaturas com histórias sórdidas ou profundamente humanas. Grandes escritores aqui e ali se envolveram em uma narrativa que apresentava um julgamento. Julgamentos famosos de delinqüentes comuns ou crimes de guerra. Julgamentos como o de Nuremberg, ou inquisitoriais como o de Giordano Bruno ou Branca Dias (lembram-se de Dias Gomes?). Mas o direito justo constitui premissa, e por isso na literatura apresenta-se como um complexo desafio à Inteligência humana. Leia o ensaio completo


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Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

UM SÓ BRASIL DE MUITAS CARAS E MUITOS SONS

Como já me livrei de notas introdutórias , péssima expressão para qualquer tom de ensaio me sinto livre para incorrer em injustiças e tomar catiripapos de amigos mais chegados e cometer o despretencioso texto, dando testemunha que esse Brasil tem muito de conhecer esses outros brasis. Ia me ater a um mapa, dividir regiões, colocar em ordem alfabética, mas percebi que ia incorrer em erro, escorregar no didatismo e no melhor dizer de João Antonio, ia me tornar um "um doutor sambudo e quiquiriqui, um litorâneo raquítico e pretencioso" que vive a "torcer o nariz".
Resolvi começar São Paulo, filho da terra que sou. Afinal quem é a cara de São Paulo...Meus amigos de beberundar nas padarias do Bixiga (apelido de um bairro central e boêmio) logo sacaram de um nome de rua, Adoniran Barbosa mas depois... depois tem o depois e outros poréns que logo veremos em outros intertítulos. LEIA MAIS...

 

publicado por o editor às 12:24
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